Os dramaturgos londrinenses Paulo de Moraes e Maurício Arruda Mendonça receberam na última terça-feira o prêmio de melhor autor pelo 25º Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro. Os dois dividiram a premiação pelo trabalho realizado em "A Marca da Água", montagem recém-lançada do Armazém Cia. de Teatro, que nasceu em Londrina e atualmente está comemorando 25 anos de atividade. O grupo está radicado no Rio de Janeiro desde 1998 e também havia sido indicado aos prêmios de melhor atriz (Patrícia Selonk) e cenografia (Paulo de Moraes).
Esta é a segunda vez que Moraes e Mendonça dividem o prêmio de melhor autor; a primeira vez foi em 2008, pelo espetáculo "A Inveja dos Anjos", que também rendeu o prêmio de melhor atriz a Patrícia Selonk. "Esse é o nosso 10º texto autoral em parceria e a premiação ressalta a importância do trabalho coletivo e a maturidade da companhia", destacou Mendonça, por telefone, do Rio de Janeiro. "Eu entro mais com os elementos da literatura enquanto o Paulo (de Moraes) enfoca mais as ideias relacionadas à direção artística. Trocamos e afinamos muitas ideias, em um texto em parceria que sempre leva em conta que o teatro é uma arte coletiva", acrescentou.
Após estrear no Rio de Janeiro e em São Paulo, a montagem poderá ser conferida nos dias 28 e 29 de março, dentro da programação do Festival de Teatro de Curitiba. A companhia ainda faz a sua primeira turnê internacional: participação nos festivais de Avignon, na França, e Edimburgo, no Reino Unido. Também fará em maio apresentações no Teatro Solis, em Montevidéu, no Uruguai. Não há previsão para uma apresentação em Londrina.
Tendo a água como grande metáfora, a peça premiada mostra a busca e o delírio da personagem principal quando a fragilidade física pode transformar-se em afirmação de vida. De certa forma, uma reafirmação do trabalho da companhia caracterizada pela pesquisa do tempo narrativo, a questão da memória e um olhar poético sobre a existência dentro de um processo criativo dinâmico.
A última apresentação do grupo em sua cidade-natal foi no saudoso teatro Ouro Verde, com o espetáculo "Antes da Coisa Toda Começar", em 2011, dentro da 43ª edição do Festival Internacional de Londrina.

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