As idéias terminaram para a Companhia Palavração da Universidade Federal do Paraná e para o Grupo Processo. Mas seus integrantes encontraram uma maneira de corrigir a falta de inspiração: adotaram o plágio deslavado como bandeira. Nasceu assim ArrasTom, inspirado na obra musical e intelectual do músico Tom Zé. O espetáculo vai ser apresentado hoje, às 20h30, e amanhã, às 19h30, no Teatro Experimental Universitário, na Praça Santos Andrade, 50, em Curitiba, com entrada franca.
ArrasTom apela para a desconstrução e passa por liquidificador mental para chegar ao seu produto final na opinião dos criadores. Os quadros que compõem a peça são recheadas de referências distintas. Textos de Samuel Becket, um dos papas do teatro do absurdo, são misturados com os do argentino Hugo Mengarelli. Fernando Kinas tem uma cena de ''Tudo o que você sabe está errado'' reprocessado.
Dirigido por Adriano Esturilho o ArrastaTom adota o brega e o mal feito como estética e empunha a bandeira contra a adoção de convenções artísticas do bom e do ruim. Ao adotar uma força motriz baseada no tom despojado e anarquista, o grupo confessa-se cansado de fazer teatro para os colegas de classe e por isso resolveu não poupar o próprio espetáculo e o público.
Tom Zé, o inspirador do trabalho, ganhou fama internacional após ser adotado pelo músico americano David Byrne, vocalista da banda Talking Heads, como um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira. A repentina notoriedade no exterior não mudou o dia-a-dia desse nordestino, que continua despercebido em sua terra natal.

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