Sâo Paulo - Já são 37 anos de estrada sem perder o rebolado. A cantora e dançarina Gretchen, 52 anos, já fez filme pornô e se lançou em carreira política, mas continua, dia após dia, apresentando-se nas esquinas mais remotas do país. ''Faço shows seis vezes por semana'', afirma. Agora, a Rainha do Bumbum ganha uma coletânea de luxo, que põe em retrospectiva seus sucessos, e revela que pensa em se aposentar. ''Vou fazer uma turnê pelos Estados Unidos. Depois, quero descansar e passar mais tempo com a minha família. Se eu sentir que chegou o momento, posso até me aposentar'', confessa. ''Acho que já trabalhei demais'', acrescenta.
A coletânea ''Charme, Talento e Gostosura'', que está chegando às lojas, traz 14 canções que se dividem em grandes sucessos e raridades dançantes. O conjunto inclui pérolas da virada dos anos 1970 para 1980, como ''Conga, Conga, Conga'', ''Freak Le Boom Boom'', ''Melô do Piripipi'' e a sugestiva ''Me Gusta el Cha-cha-cha''. O encarte de luxo tem reproduções das sensuais fotos que estamparam as capas dos principais discos de Gretchen. Mais do que uma memória, a seleção tem o intuito de atestar a importância musical da artista, mais lembrada pelas formas privilegiadas. ''Em 1978, havia o brega de um lado e a MPB mais séria do outro, não havia muito espaço para a dance music nacional'', afirma Rodrigo Faour, pesquisador responsável pelo CD. ''Reouvindo o material hoje, descobri que Gretchen e Mister Sam (seu produtor e mentor musical), sem querer, anteciparam ou surfaram na onda de alguns modismos que outros artistas nem sonhavam em fazer, como o break e o dance árabe, além de experimentar o samba-rock e o samba-funk'', completa.
''Gretchen é uma figura essencialmente pop, na qual música e imagem andam juntas'', define o estudioso. Treze faixas do CD foram produzidas pelo argentino Mister Sam, responsável pela combinação inusitada de disco music, merengue e cha-cha-cha, que foi febre 30 anos atrás. Na virada dos anos 1990, Gretchen passou a ser tachada de brega, só para, nos anos 2000, tornar-se ''cult''. ''Eu não sou brega, eu sou popular. Mesmo porque, chegar a 37 anos de carreira não é para qualquer um'', defende a artista.

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