Graxa e livros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de setembro de 2008
Ricardo Chagas 
Muitos encontram no trabalho uma fonte de renda e até mesmo uma fonte de satisfação e prazer. Eu, como grande parte do povo brasileiro, encontro uma fonte de frustrações. Sempre oscilando entre empregos árduos, braçais e de baixa renumeração. Sem aptidão para ganhar dinheiro, sem saber de fato qual é minha verdadeira vocação.
Os mais otimistas diriam: como não? O que você gosta realmente de fazer? Sempre gostei de ler. Na infância lia revistas em quadrinhos; com a adolescência minhas leituras fluíram para a literatura. Mas, mesmo para um garoto ingênuo e sonhador, viver de literatura é um sonho utópico. Até mesmo escritores renomados têm que acumular outras funções para sobreviver.
Restou-me seguir o ofício da família. Mesmo não encontrando nada de poético em consertar pneus furados. No entanto, nunca abandonei meu gosto pela leitura. O tempo ocioso eu dedico aos meus queridos livros. Que de meus nunca tiveram nada; sempre oriundos de bibliotecas escolares e municipais, mas que sempre me proporcionaram sentimentos e sensações indescritíveis.
A eles dedico esse texto; peço também perdão. Isso mesmo; peço perdão! Deixei em todos eles vestígios de que foram manuseados por mim. Por mais que tentasse evitar, ao levá-los para o trabalho ficavam manchados e sujos. Quantas páginas brancas foram violentadas pelos meus dedos sujos de graxa? Por mais que eu optasse por livros velhos de páginas amareladas, mais resistentes, muitas vezes não conseguia resistir à tentação de um livro recém-chegado, ainda cheirando a tinta de impressora.
Hoje eles devem estar esquecidos em alguma estante escura, menos atraentes devido aos meus maus-tratos. Mas saibam que não foi em vão. Vocês ajudaram a continuar pulsando minha frágil veia literária.
E você meu caro amigo leitor, caso encontre algum desses livros manchados de graxa, por favor, não sinta aversão por ele. Pelo contrário, saiba que este livro proporcionou inúmeras coisas boas, entre elas esse nosso encontro.
RICARDO CHAGAS - é estudante curso de letras da Faculdade Univale de Ivaiporã


