Gravuras e fotos lado a lado
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quarta-feira, 06 de março de 2002
Zeca Corrêa Leite<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A gravura tem em Curitiba um importante centro de produção. A notoriedade que a cidade goza neste assunto pode ser aquilatada com a exposição que abre hoje no Museu da Gravura, instalado no Solar do Barão. Numa só tacada seis artistas colocam suas obras à apreciação pública a partir de hoje, às 19 horas: Paulo Meirelles, Juliane Fuganti, Luciano Boletti, Marga Puntel, a catarinense Sandra Favero e o paulista Augusto Sampaio.
No mesmo horário e local, o Museu da Fotografia promove a abertura da coletiva Olho de Vidro, com curadoria de Glauco Menta. Aqui os artistas plásticos exercitam seu olhar através da câmara. São eles: Alexandre Cabral, Lígia Borba, Maria de Lourdes Gomes, Karina Widle, Fábio Noronha e Gabriele Gomes, além do próprio Menta e da paulista Lourdes Colombo.
No Museu da Gravura o visitante terá contato com Localizações, instalação de Marga Puntel que mescla imagens fotográficas do corpo humano a objetos reais. Criada especialmente para este espaço, a obra integra o programa Incisão, Marca e Múltiplo, promoção do Museu coordenado pela gravadora Ana González.
Puntel reuniu bacias de alumínio permeadas por espelhos e cheias dágua. Em cada uma delas tem uma pequena foto de umbigo humano, refletida pelo espelho. Espalhadas pelo chão, essas bacias estabelecem um jogo de deslocamentos múltiplos de imagens. A artista participou do último Salão Paranaense de Arte, e teve individuais realizadas no Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Realizou coletivas no MAM do Rio de Janeiro e tem obras na coleção de Gilberto Chateaubriand.
Signos Gráficos traz xilogravuras de Augusto Sampaio. Entre elas estão três que participaram da I Bienal de Gravura de Santo André, no ano passado, e as demais são trabalhos inéditos. Formado em Arquitetura pela USP, Sampaio estudou Artes Plásticas com Sílvio Dworecki, Francisco Maringello e Evandro Jardim. Expôs em diversas localidades brasileiras e do exterior. No ano passado foi um dos destaques da mostra Jeune Création Art Contemporain, em Paris.
A catarinense Sandra Favero, formada em Pintura pela Embap, e ex-aluna de Alberto Massuda (Curitiba) e Marshall Glasier (Nova York), em Desenho, comparece com Outras Peles, Outros Pêlos. Segundo ela a arte é o caminho que lhe permite ir de encontro às novas formas, novos meios em busca de novas respostas. Com diversas premiações na Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, Sandra tem no currículo extensa lista de exposições no Brasil e Estados Unidos.
Juliane Fuganti estará presente com gravuras em metal. Aproveitando o evento lançará o livro Juliane Fugante Gravuras que documenta sua trajetória artística desde os anos 80 até hoje. A crítica Maria José Justino analisa o trabalho da gravadora e conclui: Busca com o cinzel e o buril auscultar a matéria, inquirir a realidade e comunicar-se com seu presente.
Objetos/desenhos espalhados pelas paredes, estendendo-se pelo chão são obras de Luciano Boletti. O autor não se contenta com o plano bidiomensional. Ele oferece ao público obras que precisam ser tocadas pelas pessoas para compreendermos o estado bruto da substância solidificada e mole da borracha não aquela que apaga o desenho, mas aquela que constrói.
Entre crítico, irônico e divertido Paulo Meirelles coloca nas litografias as linguagens dos quadrinhos, caricatura, desenho animado e, especialmente, da moda. Tem tudo a ver Meirelles trabalhou durante 14 anos como estilista, e foi desse mundo que saíram os personagens e as situações nonsenses que povoam as gravuras e telas.
No Museu da Fotografia os artistas plásticos colocaram-se no papel de fotógrafos, mas como têm um olhar diferenciado, a experiência foi meramente de pesquisa e busca de novos elementos do discurso artístico. Não há tema comum às fotos nem são levados em consideração métodos fotográficos profissionais nos trabalhos, avisa o curador Glauco Menta. A fotografia vista pela ótica do não-fotógrafo é o mote principal dessa mostra, que permite um olhar bastante diverso do que se convencionou chamar fotografia.
Assim, os registros que ali estão não seguem naturalmente aquilo que se espera da linguagem confencional. Alexandre Cabral mostra imagens em preto e branco como uma releitura da foto modernista dos anos 40 e 50; Maria de Lourdes fomes buscou as vistas externas, sombras e paisagens que são fundidas com xilogravura e Glauco Menta lança mão do teatro e artes plásticas para a sua obra.
Serviço: Exposições de seis artistas no Museu da Gravura Cidade de Curitiba: Marga Puntel, Augusto Sampaio, Sandra Favero, Juliane Fuganti, Luciano Boletti e Paulo Meirelles. Até 14 de abril, de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, sábados, domingos e feriados das 12 às 18 horas. Entrada franca.
Exposição fotográfica Olho Vivo, com imagens dos artistas plásticos Alexandre Cabral, Ligia Borba, Maria de Lourdes Fomes, Lourdes Colombo,KarinaWidle, Fabio Noronha, Gabriele Gomes e Glauco Menta. Os dois museus ficam no Solar do Barão, Rua Carlos Cavalcanti, 533. Até 14 de abril, de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, sábados, domingos e feriados das 12 às 18 horas. Entrada franca.


