Gravuras de primeira grandeza
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Paisagem Interior'' é o nome da exposição aberta ontem no Museu da Gravura Cidade de Curitiba, que reúne 13 obras da artista plástica Fayga Ostrower (1920-2001). Apesar de pequeno, o acervo pertencente à Fundação Cultural de Curitiba consegue retratar os diferentes períodos da produção da artista, entre os anos de 1958 e 1992, em técnicas de xilogravura, gravura em metal e litogravura. A mostra vai até o dia 13 de abril.
Para a pesquisadora da Diretoria de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Fundação Cultural de Curitiba, Priscila Jacewicz, as gravuras, mesmo sendo em sua maioria abstratas, lembram paisagens. No entanto, como elas não são facilmente perceptíveis, deduz-se que retratam as emoções interiores da artista. Daí a escolha do nome para a exposição.
Os experimentos da artista sempre estiveram aliados a uma profunda responsabilidade com conhecimentos formais e técnicos. Fayga dizia ser a gravura ''a música de câmara das artes visuais''. A forma como Fayga utiliza planos e cores também evidencia a afinidade da artista com os cânones orientais, que diferente do ocidental, não usam o centro do trabalho como ponto de fuga.
Mesmo tendo a artista abandonado a figuração no início da década de 50, a coleção da Fundação Cultural de Curitiba dispõe de um único exemplar figurativo: uma paisagem, de 1981. Segundo Priscila, ''não se trata de um trabalho tardio, pois, antes de se render aos mistérios da abstração, Fayga estava envolvida com uma arte engajada, de cunho social, que visava retratar o sofrimento dos retirantes''.
Fayga Ostrower nasceu na cidade de Lodz, na Polônia, em 1920. Chegou ao Rio de Janeiro em 1930, naturalizando-se brasileira quatro anos depois. Em 1947 ingressou na Fundação Getúlio Vargas e lá estudou xilogravura com Axl Leskoschek e gravura em metal com Carlos Osvald. Entre 1954 e 1970, lecionou Composição e Análise Crítica no MAM/RJ, sendo que em 1955 ganhou uma bolsa da Fulbright Comission que a levou a Nova York. Foi professora do Spellman College, em Atlanta; da Slade School, na Universidade de Londres e de cursos de pós-graduação em universidades brasileiras.
A artista foi várias vezes premiada. Em 1972 foi agraciada com a Ordem do Rio Branco. Recebeu, em 1998, o Prêmio de Mérito Cultural e, no ano seguinte, o Grande Prêmio de Artes Plásticas do Ministério da Cultura. Publicou livros sobre questões da arte e da criação artística: ''Criatividade e processos de criação'', ''Universos da arte'', ''Acasos e criação artística'' e ''A sensibilidade do intelecto de Goya, artista revolucionário e humanista''. Morreu no Rio de Janeiro, em 2001, aos 81 anos.
Serviço: Exposição ''Paisagens Interiores'', obras de Fayga Ostrower. Local:
Museu da Gravura Cidade de Curitiba - Solar do Barão (Rua Carlos Cavalcanti, 533). Aberta até 13 de abril, de segunda a sexta-feira, das 9 horas às 18 horas; sábados, domingos e feriados, do meio-dia às 18 horas.


