Gravadora chega ao marcado com discos saborosos
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sábado, 22 de abril de 2000
Por Mauro Dias 
São Paulo, 23 (AE) - Uma nova gravadora chega ao mercado, no mês que vem. Trata-se da Jam Music e chega com cinco títulos, dois deles relançamentos de trabalhos importantes que, por motivos diferentes, estavam fora do mercado. Os títulos novos são de dar água na boca: Ganha-se pouco, mas É Divertido - Cristina Buarque Canta Wilson Batista, o título diz tudo, com participações muito especiais de Chico Buarque, Paulinho da Viola e de Roberto Silva, em plena forma, vozeirão de ouro aos 80 anos completados no início do mês; Sessão Passatempo, terceiro trabalho da cantora-revelação Carol Saboya, uma produção de Hermínio Bello de Carvalho; e o novo álbum-solo de Roberto Silva, já gravado, com título por definir.
Brinde - Os relançamentos são também importantíssimos. O primeiro é Da Minha Terra, de Jane Duboc e Sebastião Tapajós. Trata-se do melhor disco de Jane e foi gravado, há três anos, como brinde da Secretaria de Cultura paraense. Circulação restrita, como sempre nesses casos, resgatada para público mais amplo. O outro relançamento é do disco Cara do Brasil, do compositor e cantor Celso Viáfora. E, antes que alguém se espante - afinal, esse disco já foi oficiamente lançado, há quase um ano - segue a história explicativa.
Celso Viáfora gravou Cara do Brasil (logo em seguida, Ney Matogrosso registraria a música que dá título ao trabalho, uma parceria de Celso e Vicente Barreto, no CD Olhos de Farol), pela gravadora RGE. Quando o disco ficou pronto, antes, no entanto, de ir para as lojas, a RGE fechou as portas. O acervo ficou sob os cuidados da Som Livre, que não mostrou interesse no disco do compositor paulistano.
Finalmente, o CD Cara do Brasil foi negociado pela Jam Music. E, embora já tenha recebido críticas (sempre muito elogiosas) nos jornais e seu autor tenha excursionado pelo País para promover o lançamento do álbum, só agora no mês que vem ele poderá de fato ser encontrado nas prateleiras. Tristes histórias do disco; essa, pelo menos, tem final feliz.
Cristina Buarque é uma das maiores intérpretes do samba. Sua discografia é desproporcional à sua qualidade e importância. A primeira gravação foi em 1967, uma faixa (Chorava no Meio da Rua) no disco Onze Sambas de uma Capoeira, com músicas de Paulo Vanzolini. Depois de outras participações, entre elas cantando Sem Fantasia, no disco do irmão, lançou seu primeiro elepê, Cristina, em 1974 (desse trabalho, Quantas Lágrimas, de Manacéa, foi um grande sucesso). Vieram depois Prato e Faca, Arrebém, Vejo Amanhecer e Cristina, além de Cristina e Mauro Duarte, trabalho independente, a duas vozes com o grande compositor.
Seus lançamentos anteriores ao de agora foram Resgate (disponível em CD), feito inicialmente para o mercado japonês, e Sem Tostão... a Crise não É Boato, dividido com Henrique Cazes e dedicado à obra de Noel Rosa.
Ganha-se pouco, mas É Divertido guarda o padrão de bom gosto da cantora e reitera sua preocupação com o samba autêntico. Wilson Batista não é mais um nome conhecido. Foi um dos definidores do samba carioca. Nasceu em Campos, no Estado do Rio
em 1913, e morreu em 1968. Sabe-se mais dele pela famosa polêmica musical com Noel Rosa, mas este não é o lado mais importante de sua obra. Foi gravado por todos os grandes intérpretes dos anos 30, 40 e 50 e deixou uns poucos sucessos não esquecidos - o samba Emília, feito com Haroldo Lobo, Pedreiro Valdemar, parceria com Nássara, O Bonde de São Januário
com Ataulfo Alves.
Pioneirismo - Compôs mais de duas centenas de músicas e aquela de que ninguém esquece é Louco ("Pelas ruas ele andava/ E o coitado chorava/ Parecia até um vagabundo/ LouCo/ Para ele a vida não valia nada/ Para ele a mulher amada/ Era seu mundo"), que está no disco de Cristina. Pioneiramente, Wilson Batista compôs músicas para voz feminina - mulheres se queixando de seus homens, ou proclamando seu amor por eles. Araci Cortes gravou vários deles. Chico Buarque, que tem influência declarada de Wilson, seguiu a onda de cantar em voz feminina.
O novo disco de Cristina tem produção artística de Hermínio Bello de Carvalho e direção musical de Maurício Carrilho. Participam Altamiro Carrilho, Marcelo Bernardes, Luciana Rabelllo, Jorginho do Pandeiro, Celsinho Silva, Gordinho e outros nomes que formam o primeiro time do samba. Chico Buarque canta com o irmão num pot-pourri com Lá Vem Mangueira, Cabo Laurindo e Comício em Mangueira, e em outro com Louco, Emília, Oh! Seu Oscar, O Bonde de São Januário, Rosalina e Mundo de Zinco.
Paulinho da Viola participa em ...E o 46 não Veio e Lá Vem o Ipanema, além de contribuir, também no segundo pot-pourri mencionado acima, o que começa com Louco, ao qual empresta a voz
também, Roberto Silva. O disco de Cristina, como o de Carol Saboya e os outros do selo, traz encartes com muitas informações sobre as músicas, as gravações originais, as circunstâncias inspiradoras. O "Jam" do nome da gravadora não vem de jamm session, coisa de jazz, mas da junção dos nomes de seus criadores - o empresário Paulo Amorim, a cantora Jane Duboc, sua mulher.
Paulo Amorim é dono da casa noturna Tom Brasil. Sua formação não é musical, mas da área médica. Sua paixão é a música. Para criar a gravadora, montou um estúdio moderno, na Barra da Tijuca
no Rio, e para o lançamento dos primeiros discos, planeja um mês de espetáculos, em maio, no Rio, no Teatro João Caetano, e outro mês, provavelmente em junho, em São Paulo, na própria casa de espetáculos.
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