Os mutantes não mais aqueles. Para este terceiro capítulo de ''X-Men - O Confronto Final'', que estréia hoje no Brasil já se aproveitando do esvaziamento de ''Missão Impossível 3'', mas não ainda no vácuo de ''Codigo Da Vinci'', o que temos é somente material na medida para uma aventura de apoteose sonora. Desta vez os super-poderosos se defrontam com uma escolha que qualificam como histórica: manter suas características excepcionais e ser rejeitados pela humanidade de comuns mortais, ou abandonar seus poderes no guarda-roupa da ficção científica para se tornarem inteiramente humanos.
Dito isto, a história vai transformar em universal uma questão que era apenas essencial: ser ou não ser...um homem. Os humanos anunciam a cura. Mas os mutantes querem ser humanos? Este dilema existencial atormenta os X-Men durante uma hora e quarenta e cinco minutos. Mas como discurso filosófico e questões morais não são o forte deles, e como o diretor dos filmes anteriores, Bryan Singer, somente muito de longe assombra esta sofisticada brincadeira barulhenta, o que resta é somente a ação. É aqui que o filme troca figurinhas de verdade com a história em quadrinhos original. Sem efeitos especiais, seria o nada para estes mutantes, e para a platéia. Mas eles estão presentes, claro, e com que abundância!
De carros em chamas atirados sobre a ilha de Alcatraz à ponte de São Francisco retorcida como arame para servir de passarela, passando por um angelical jovem alado e chegando até corpos despidos e explodidos por efeitos de computador, não há quase como piscar na sala escura. Os prodígios tecnológicos e pirotécnicos, neste caso, são o único trunfo que pode engrossar as bilheterias da produção, mas é pouco provável que o resultado de box office chega perto dos números das faturas 1 e 2 US$ 157 e US$ 215 milhões de dólares respectivamente, só nos EUA.
Os intérpretes estão todos de volta a seus postos. O inoxidável Wolverine por conta de Hugh Jackman, uma Halle Berry mais contida, os mestres Patrick Stewart e Ian McKellen, a ressuscitada Jean (Famke Jenssen). Há uma invasão de atores secundários, e quase não se fornece a eles um background. Quase não há o que dizer do diretor Brett Ratner. Entra mudo, sai calado.

mockup