O fim de semana começa e termina sob o signo de interpretações femininas memoráveis: a Bette Davis de ''Pérfida'', a Bjöork de ''Dançando no Escuro'', a Jessica Lange de ''O Destino Bate à Sua Porta''.
Mas os filmes não se limitam a isso. Cada plano de William Wyler em ''Pérfida'' (hoje, no Telecine Classic, 16h35) é feito com tanto esmero que hoje sentimos mais o esmero do que a história.
O mesmo se dá com as posições de câmera, que parecem ter sido procuradas à exaustão, com a fotografia de Gregg Toland, ou com os atores - em particular Davis: seu virtuosismo parece passar para trás a trama de Lillian Hellman.
Estávamos em 1941 e Wyler era o grande diretor de prestígio de Hollywood. Com o tempo, sua obra parece menos apta à fruição do que ao estudo do cinema. Como se cada cena se prestasse a ser desmembrada e analisada, elemento por elemento. Cada um deles é exemplar, mas a somatória tem algo de envelhecido, o que não ocorre com ''O Colecionador'' (1964) e ''A Libertação de L.B. Jones'' (1970).
O domingo é mais farto em opções, tanto na Net como na TVA. Na primeira, o destaque principal é ''El Dorado'' (22 horas), que reúne John Wayne e Robert Mitchum num faroeste de Howard Hawks.
''Dançando no Escuro'' (hoje, às 18 horas, Telecine Emotion), de Lars von Trier, é um musical a não esquecer, seja por Bjöork, seja pela capacidade de Trier em absorver a história do melodrama e renová-la.
Na seara da TVA as coisas vão um pouco mais devagar. O setor descompromissado é suprido pelo blockbuster ''As Panteras'' (hoje, às 17 horas, HBO). O principal, de longe, está na madrugada: ''O Destino Bate à Sua Porta'' (hoje, às 4 horas, HBO), de Bob Rafelson. Aqui, Rafelson torna o erotismo mais explícito, sem nada perder em poder se sugestão, em grande parte graças às presenças dominantes de Jessica Lange e Jack Nicholson.

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