Um grupo de sete artistas plásticos de São Paulo e um paraibano trazem seus trabalhos para ser expostos no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba. A ambiguidade imenso/ínfimo é tratada na mostra intitulada ‘‘XS (extra-small) / XL (extra-large)’’, que será inaugurada hoje, às 19 horas, e permanece até 18 de abril.
ReproduçãoAquários, de Nina Moraes (1998): caixa de vidro, objetos transparentes e águaCom a curadoria de Nancy Betts - que escolheu Curitiba para apresentar esse projeto pela primeira vez - expõem Celina Yamauchi, Marco di Giorgio, Monica Barth, Edson Lourenço, Nina Moraes, Patrícia Furlong, Gilberto Mariotti e José Rufino. Quatro deles mostram os grandes formatos e os outros quatro, os pequenos modelos.
‘‘Queremos mostrar o que fica fora dos limites do padrão normal, coisas a que as pessoas ainda não estão familiarizadas’’, conta Nancy. Ela sugere que os ínfimos sejam observados com mais cuidado. ‘‘É preciso vergar o corpo, numa relação mais participativa, mais envolvente.’’ O pequeno formato exige a aproximação física, a intimidade da relação com a obra.
ReproduçãoCartas de areia, de José Rufino: técnica mista sobre envelopePara os grandes formatos, a maioria bem compridos, com até seis metros, os artistas propõem um caminhar mais lento em frente aos trabalhos. ‘‘A linearidade das obras possibilita perceber por etapas. A imagem não é apreciada pronta. O observador constrói a obra com a sua própria memória e com as surpresas de cada etapa’’, afirma Nancy. O grande formato induz ao deslocamento, necessário para apreender a obra. ‘‘Nos dois casos, o espectador é levado à participação subjetiva’’, explica a curadora.
As surpresas ficam por conta de formas corroídas, veladas e fragmentadas. ‘‘São dispositivos elaborados para que as pessoas levem mais tempo para observar as obras. Sugiro que venham com tempo para que possam detalhar a exposição’’, diz a curadora. Ela observa que todos esses artifícios são elaborados para seduzir.
ReproduçãoF M U, de Patrícia Furlong (1992): tinta acrílica sobre tecidoA preocupação de Nancy Betts, ao organizar a mostra, é realmente com a questão do comportamento do espectador. Para atrair os visitantes, ela privilegiou obras cujas imagens não são tão óbvias. Segundo Nancy, professora da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), uma percepção mais aguçada pode aflorar com os recursos do tempo/deslocamento.
Nancy Betts diz ainda que a questão da dimensão na arquitetura da vida contemporânea - a experiência do vasto como infinito ou a do reduzido como metáfora da essência - introduz uma espacialidade/temporalidade que contradiz a visão imediatista, acionando outros paradigmas, interrompem o tempo e o espaço, impõem uma pausa ao pensamento. ‘‘A pausa representa o hiato, o silêncio a partir do qual a quebra de inércia, o desassossego impulsionam à reflexão, à percepção e à apreciação estética.’’
José Rufino apresenta uma série intitulada ‘‘Cartas de Areia’’. Usando a técnica acrílica e têmpera sobre envelope, o artista desenvolve sua poética remontando o seu passado, escorando-se em objetos que lhe foram legados, principalmente cartas que, como outras, foram retiradas de um velho baú que pertenceu a seu avô. ‘‘Rufino trata da intimidade do segredo, dos fragmentos da memória, de confissões íntimas’’, adianta Nancy.
ReproduçãoOfício Diário de Transparências nº1, de Monica Barth: desenho em técnica mista sobre vidroCelina e Marco di Giorgio apresentam desenhos feitos em filmes fotográficos, depois copiados em papel. ‘‘Marco pinta vários negativos e os sobrepõem. As sequências em que são colocados em contato com a luz mundam a aparência de cada trabalho. Celina, registra a luz no desenho feito no negativo em 20 pequenas fotografias.’’ Celina e Marco são os mais jovens integrantes dessa coletiva, em que todos já dispõem de uma trajetória bem definida.
Por sua vez, Gilberto Mariotti faz uma pesquisa conceitual sobre as interferências causadas pelas diversas formas de reproduções na leitura de uma obra de arte. Mariotti usa o conceito de apropriação com a pintura de outro artista.
Na produção de Edson Lourenço, tijolos quebrados, unidos ao papel e à pintura, compõem todos os seus trabalhos. Ele usa as páginas de uma revista de arte, onde pinta e desenha. É a arte que fala da arte. Monica Barth faz um diário de transparências usando pequenos vidros sobrepostos à imagem fragmentada.
O trabalho de Nina Moraes reorganiza, num aquário, copos, taças, pratos, vasos e pedaços de vidro quebrado. Já Patrícia Furlong faz o caminho inverso do outdoor. Ela pinta em cima de um outdoor e o traz para dentro do museu. É o in door.
Exposição ‘‘XS (extra-small) / XL (extra-large). Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Avenida República Argentina, 3.430). De hoje, às 19 horas, a 18 de abril, de terça a sexta-feira, das 13h às 20h30. Sábados e domingos das 15h às 18h30.ReproduçãoSem título, de Edson Lourenço (1993): técnica mista sobre telaElisa Marilia Carneiro

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