Grandes atrizes em filme mediano
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Este é um desse ''filmes de amor'' que procuram seduzir larga porção da platéia, preferentemente feminina, e que não se encontram com frequência na programação. É uma historia regada por romântica melancolia, já que nasce na consciência de uma mulher agonizante, em cuja memória febril se reconstrói uma experiência de juventude. São aqueles dias em que ela conheceu, e deixou partir, o homem que agora considera o grande, verdadeiro amor de sua vida.
A origem de ''Ao Entardecer'' (veja a programação de cinema na pagina 2) é uma novela, ''Evening'', que teve boa repercussão crítica e de público quando publicada em 1998, e que a própria autora, Susan Minot, adaptou agora para o cinema junto ao laureado Michael Cunningham, de ''As Horas''. Mas seu ponto forte não está tanto no roteiro - focado no universo feminino para falar das grandes decisões que se deve tomar na vida - mas no trabalho de um punhado de atrizes que, por força do talento, impõem consistência e ajudam a amenizar as debilidades de uma narrativa com altos e baixos entre mudanças de época e intercorrências anedóticas. Com este sólido suporte e com uma linguagem onde impera a moderação, o diretor húngaro Lajos Koltai não teve muito trabalho para manter o interesse de seu relato, embora o filme tivesse se beneficiado com um pouco menos de compostura e algo mais de ímpeto melodramático.
Em seu delírio, Ann (Vanessa Redgrave) menciona um antigo amor, Harris, e confessa ter cometido um grave equívoco. Isto desconcerta tanto suas duas filhas (Toni Colette e Natasha Richardson) como a enfermeira que passa horas a seu lado (Eileen Atkins). Enquanto decidem se é benéfico ou prejudicial acompanhar a mãe neste acerto de contas com o passado que elas desconhecem, as irmãs resolvem algumas pendências que as estavam separando, e refletem sobre o rumo que deram às próprias vidas.
O filme vai e volta no tempo, entre momentos separados por 50 anos. Faz isto às vezes com fluidez, mas às vezes de maneira brusca. O presente perde em brilho narrativo, enquanto o passado ganha mais espaço e interesse dramático. Somente ao final, quando a velha amiga de juventude (Meryl Streep) vem despedir-se de Ann, os dois recortes cronológicos encontram modo de articular-se, gerando o momento mais significativo do filme.
O que há de emoção corre por conta deste time admirável - Collete, Richardson, Redgrave, Streep, Atkins, até mesmo uma fugaz Glenn Close comparece. O aporte masculino é apenas correto.


