Curitiba Nos últimos dois anos, o músico Waltel Branco reviveu os seus quase 60 anos de carreira. Ele emprestou álbuns e filmagens pessoais para o cineasta Alessandro Gamo, que além do arquivo pessoal de Waltel, garimpou e produziu entrevistas com importantes músicos nacionais sobre o trabalho do compositor paranaense. O resultado está no documentário ''Descobrindo Waltel'', que tem estréia nacional hoje, em Curitiba. Depois da exibição do curta-metragem, o próprio Waltel sobe ao palco do Teatro da Caixa para apresentar o show ''Alma de Passarinho''.
O maestro Waltel Branco nasceu em Paranaguá ''por acaso'', como gosta de contar, em 1929. Pouco depois do nascimento prematuro, aos sete meses, já retornou para Curitiba. ''Senão eu não vingava'', brinca. Vingou. E se transformou ainda num dos maiores compositores nacionais, falta apenas o reconhecimento que lhe é merecido. ''Acho que ninguém me conhece porque eu moro em Curitiba'', brinca Waltel, com o seu habitual bom humor. Para ele, as relações artísticas na capital paranaense são complicadas e dificultam o reconhecimento do grande público, dentro e fora da cidade ''Mas isso não me desanima, pelo contrário, eu fico em casa e componho. Um dia as pessoas vão conhecer todo esse trabalho'', diz.
E parte da trajetória de Waltel está contada no documentário de Gamo, também curitibano que migrou para São Paulo. Por meio de depoimentos do compositor, imagens de arquivo, trechos de apresentações, entrevistas inéditas de figuras importantes do meio musical nacional como Hermínio Bello de Carvalho, Ed Motta, Sergio Cabral, Roberto Menescal, Durval Ferreira, Dom Salvador e Sergio Ricardo o filme vai revelando a vida e obra do compositor. ''O documentário conta a história da minha vida desde a infância. O Alessando (Gamo, diretor do curta) me mostrou muita coisa sobre mim que eu mesmo não conhecia'', considera o músico.
Foram dois anos de pesquisa e entre as muitas histórias que envolve os bastidores do trabalho está o previsível ''desaparecimento'' do músico João Gilberto, que já havia concordado em dar um depoimento sobre o trabalho de Walter. Para driblar o imprevisto, Gamo filmou o empresário de João Gilberto, Otávio Terceiro, falando sobre a parceria entre Gilberto e o músico paranaense.
O documentário de 15 minutos ficou entre os 10 mais votados no Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo (2005) e conquistou o Prêmio de Aquisição Curta STV e o Prêmio de Exibição no programa ''Petrobrás Curta Às Seis'' dos Espaços Unibanco de Cinema. Depois da apresentação, Waltel sobe ao palco para apresentar músicas inéditas do show ''Alma de passarinho''. O nome do show é uma alusão ao termo criado pela poeta Alice Ruiz para designar o amigo e parceiro Walter Branco. ''Um dia a Alice foi me apresentar e falou: ele não é poeta, não escreve, mas em compensação tem alma de passarinho. Ela disse tudo'', conta Waltel.
Ele começou sua formação musical em Curitiba, aos 12 anos estudando violão com o maestro Bento Mussurunga. Alguns anos mais tarde, estudou canto gregoriano no Seminário dos Beneditinos. Na década de 50, mudou-se para os Estados Unidos, apresentando-se com grandes nomes do jazz. Esteve também em Cuba e na Europa e só voltou ao Brasil na década de 60. Nessa época apresentou-se ao lado de Dizzy Gillespie, Andy Wilians entre outros nomes. Waltel produziu discos para Freddie Cole e Johnny Mathis e foi responsável pela trilha sonora de diversas novelas, música incidental e especiais da Rede Globo de Televisão.
Apesar do longo tempo de carreira, Waltel tem poucos discos gravados. O próximo projeto é lançar o CD com o repertório do show ''Alma de passarinho'', que traz músicas inéditas do compositor, mas ainda não tem patrocínio nem gravadora interessada. Enquanto o disco não sai, é possível ver o show ao vivo. Na apresentação, o maestro é acompanhado de Norma Ceci (voz), Saúl do Trumpet, Davi Sartori (piano), Adriano (sax barítono), Mattoso (sax alto) e Tito Pereira (tablas).

Serviço:
- Lançamento do documentário ''Descobrindo Waltel'' e show ''Alma de passarinho'', com Waltel Branco no Teatro da Caixa (Rua Conselheiro Laurindo, 280), em Curitiba. Hoje e amanhã, às 21 horas. Ingressos a R$ 6,00 e R$ 3,00. Mais informações (41) 3321-1999.
Excepcionalmente hoje deixamos de publicar a coluna Pilha, de Nelson Sato

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