'Grande Sertão: Veredas' chega às lojas
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Mariana Garcia<br> Folhapress 
Há 25 anos, o diretor Walter Avancini liderou uma aventura pelos confins dos sertões mineiro e baiano. Sua ideia, ambiciosa e arriscada, era adaptar com fidelidade para a televisão um dos clássicos da literatura mundial - o romance ''Grande Sertão: Veredas'', de João Guimarães Rosa. Mais difícil ainda seria a missão de Bruna Lombardi. Símbolo sexual nacional, a atriz ficou incumbida de dar vida na série a Diadorim, feroz jagunço de um bando de justiceiros que escondia de todos seu grande segredo: era mulher.
No fim, deu certo. A obra, sucesso da Globo que acaba de ganhar versão em DVD, ainda figura entre as melhores criações da teledramaturgia brasileira. ''Grande Sertão'' é um épico sobre o demônio e o divino que há dentro e fora de cada um. Conta a saga de Riobaldo, jagunço respeitado por sua pontaria certeira que sofre por amar intensamente e em silêncio Diadorim, seu amigo leal e companheiro de luta -sem saber que se trata de uma mulher. Um dos principais galãs da emissora na época, Tony Ramos (praticamente irreconhecível) interpreta o herói.
Com um elenco predominantemente masculino, a minissérie traz ainda nomes como Mario Lago, Sebastião Vasconcelos, José Dumont e Tarcísio Meira, este na pele do demoníaco Hermógenes. Traidor, o vilão assassina Joca Ramiro (Rubens de Falco), pai de Diadorim, dando início a uma guerra sangrenta em meio à árida caatinga.
Na versão global, são impressionantes o realismo e a fidelidade à obra de Guimarães Rosa - algo que não se vê nas produções de hoje. A equipe literalmente se embrenhou pelo sertão por três meses para gravar. ''Fizemos todo o trajeto descrito no livro. Não tinha cidade cenográfica nem dublê. Em muitos locais, não havia eletricidade. Nem sei se aquele mundo existe mais. A gente correu muitos riscos, era comum alguém se machucar'', diz Bruna Lombardi.
Para as cenas de batalhas, jagunços reais foram contratados como figurantes. ''Eles não entendiam direito o que estava se passando. Não sabiam o que era televisão. Achavam que tinham sido pagos para guerrear'', conta a atriz, que se recorda de uma situação limite: ''Um dia, houve um desentendimento qualquer, e um dos jagunços jurou de morte um dos técnicos da produção''. Mas, para ela, até mesmo os percalços foram fundamentais para que os atores mergulhassem no universo de seus personagens.
Convidada para estrelar a montagem, Bruna diz que fazer Diadorim foi uma experiência transformadora: ''Esse trabalho dividiu um patamar na minha vida. Precisei me despir de tudo que eu era. Não tinha essa de incorporar o papel só na hora de gravar. Eu me joguei 100% no olho do furacão, sem reserva alguma''.


