''Graças à arte circense consegui vencer em alguma coisa''
Se não tivesse ido conhecer o projeto Circo Cidadão no ginásio do Jardim Maria Cecília, Paulo Roberto Líbano de Paula, 22 anos, o Paulinho, provavelmente não teria descoberto sua vocação para o circo. ''Soube do projeto através de amigos que participavam, e eu fui conhecer. Acho que se não fosse aquele primeiro contato hoje eu estaria trabalhando com qualquer coisa menos cultura, porque é difícil ter acesso a isso nos bairros'', reconhece.
Do projeto, ele foi para a Escola de Circo, foi convidado para integrar a Aerocircus, tornou-se professor e fez cursos com o pessoal do Cirque du Soleil em cidades como Rio de Janeiro e Salvador. Tudo de forma gratuita, através da Rede de Circo do Mundo, à qual a Associação Londrinense de Circo (ALC) está ligada. ''Quando você está incluído em determinada atividade artística, começam a aparecer outras oportunidades para poder melhorar naquela área'', observa.
Hoje, ele é coordenador do Circo Cidadão, trabalhando com cerca de 100 crianças e jovens, e comanda um projeto semelhante em Apucarana. ''Eu saí da periferia e sei que poucas coisas chegam até lá. Graças à arte circense consegui vencer em alguma coisa, mas continuo batalhando e tentando mostrar que outros jovens também são capazes. Isso pode se tornar até uma fonte de trabalho. Eu mesmo poderia ter caído na marginalidade. Tenho muitos amigos que moravam perto de mim que hoje estão mortos ou presos. Muitos, muitos mesmo. Eu fazia parte disso e hoje desenvolvo um trabalho para resgatar esse adolescente'', revela.





