Governo lança programa de financiamento para o cinema nacional
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quinta-feira, 12 de agosto de 1999
Por Elaine Guerini 
Gramado, RS, 13 (AE) - O secretário do Audiovisual, José álvaro Moisés, anunciou hoje, em Gramado, a criação do Mais Cinema 1999/2000, um programa de financiamento que pretende disponibilizar mais de R$ 80 milhões ao setor. Os recursos, provenientes dos fundos de aval do Sebrae e do BNDES, serão destinados, em primeiro lugar, aos filmes em fase de finalização ou lançamento.
O objetivo do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, é garantir a entrada no circuito comercial de 130 projetos de filmes, que já consumiram cerca de R$ 80 milhões, graças às leis de incentivo, mas enfrentam dificuldade para serem concluídos ou lançados.
"Não interessa ao governo que essas produções continuem remando e morram antes de chegar à praia, disse Moisés, que convocou a imprensa que cobre o 27º Festival de Gramado - Cinema Latino e Brasileiro para fazer o anúncio.
A linha de crédito, que inclui recursos do Ministério, também poderá ser utilizada por produções em avançado estágio de produção, tendo captado mais de 60% de seu orçamento. O programa de financiamento, que o secretário destacou ser o primeiro da história voltado especialmente ao cinema, ainda engloba a produção de curtas e documentários, a criação e manutenção de salas de cinemas e a formação e qualificação de mão-de-obra específica da área.
"O Mais Cinema é resultado de um diagnóstico que o governo faz do setor. Consideramos que as leis de incentivo tiveram papel central na retomada do cinema nacional, mas não podemos parar por aí, comentou o secretário. "Chegou a hora de acoplar novos mecanismos de financiamento a esse sistema, disse, acrescentando que, de 1994 a 1998, cerca de 80 filmes foram produzidos com o apoio das leis do Audiovisual e Roaunet, somando investimento de R$ 280 milhões.
Segundo Moisés, a linha especial de crédito deverá criar condições de competitividade para as produções nacionais disputarem espaço com as estrangeiras. "Lançar um filme brasileiro com apenas três ou quatro cópias é colocá-lo antecipadamente no cemitério. Os nossos produtos precisam de tratamento igual ao recebido pelos filmes de fora, com trailers e anúncios na televisão. E isso custa dinheiro." O protocolo de intenções do projeto Mais Cinema será assinado nesta terça-feira
no Palácio de Capanema, no Rio de Janeiro, com a presença do ministro da Cultura, Francisco Weffort. No dia seguinte, serão publicadas no Diário Oficial da União as condições e exigências para a solicitação das linhas de crédito, por meio de empréstimos. O período de quitação será de dois anos e a taxa de juros será de 1%. "Isso é uma conquista, já que as taxas do BNDES variam de 2,5 % a 4% ao ano, destacou o secretário.


