São Paulo, 23 (AE) - O governo intensificou uma campanha interministerial para promover uma "nova" imagem do Brasil no Exterior. O esforço vem desde o ano passado, quando foi editado o luxuoso livro "Brasil - Território, Povo, Trabalho, Cultura" pela Prêmio Editorial, que deveria ser distribuído em representações diplomáticas pelo mundo afora. O esforço agora é mais significativo. No fim de agosto, o ministro da Cultura, Francisco Weffort, e o das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, assinaram protocolo criando o Programa de Difusão da Cultura Brasileira no Exterior.
Previsto para ser executado pelo Ministério das Relações Exteriores, o programa contará com recursos financeiros da ordem de R$ 1,5 milhão do Ministério da Cultura. A prioridade dos ministérios, que durante muito tempo foi os Estados Unidos, sofreu uma reversão na distribuição dos recursos de divulgação. Agora, o alvo é a Europa. Serão destinados R$ 630 mil para o programa de divulgação naquele continente. A América do Norte (o que inclui Estados Unidos e Canadá) terá R$ 170 mil.
O restante está dividido assim: R$ 375 mil para América Central e do Sul, R$ 70 mil para a ásia, R$ 40 mil para o Oriente Médio e R$ 15 mil para a áfrica. Cerca de R$ 200 mil servirão para marketing. Segundo o Ministério da Cultura, o investimento visa também a ampliação do mercado externo dos produtos de bens e serviços representativos da nossa cultura, mediante a participação brasileira em eventos artísticos e culturais nas áreas de cinema
música, leitura, patrimônio, artes cênicas e plásticas.
As embaixadas brasileiras ficarão responsáveis pela divulgação das atividades, uma vez que elas contam com pessoal qualificado, capaz de selecionar os principais eventos do interesse do governo brasileiro. Além disso, elas vão proporcionar apoio logístico para todas as manifestações culturais e artísticas. Estão previstos no programa diversas mostras e festivais de cinema; concertos, concursos ou festivais de música; exposições, mostras ou feiras de artes plásticas; conferências, encontros ou feiras relacionados ao livro e à leitura; apresentação de artistas brasileiros nas áreas de música e artes cênicas; e preservação do patrimônio histórico e cultural. A programação abrange eventos que vão deste mês a dezembro.
Em texto para o livro "Brasil - Território, Povo, Trabalho, Cultura", o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que, para entender os "traços definidores" do povo brasileiro, seria preciso ir muito além das "categorizações rasas" que têm sido a tônica da divulgação do País. Ou seja: é preciso escapar dos clichês do país do futebol, carnaval e das mulatas.
O secretário de Política Cultural do ministério, Ottaviano De Fiore, também em texto no livro, acentua que a bagagem cultural do País e o sincretismo presente em todas as manifestações não podem ser ignorados hoje em dia. "Esse sincretismo é nosso destino, nossa originalidade, nossa vocação e também origem de nossas excelências".

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