Desde os anos 60, quando surgiu como vocalista do Stooges, o cantor norte-americano Iggy Pop, 62 anos, ajudou a moldar o punk e o sombrio pós-punk, fez a cabeça dos grunges e até hoje é referência básica em bandas de garagem mundo afora. Ele está lançando um novo trabalho, ''Préliminaires'', com influências de jazz e bossa nova.

Algumas letras de ''Préliminaires'' abordam a morte. Você tem pensado nisso ultimamente?
Comecei a pensar sobre a morte quando eu tinha sete anos (risos)! Uma das coisas que me fizeram escolher a minha carreira foi que eu pensava: ''Se eu ficar fazendo coisas que não acredito, um dia vou morrer e... merda!''. Quando era mais jovem, não acreditava em Deus nem ia à igreja. Costumava deitar na cama abraçado com meu ursinho de pelúcia pensando: ''Todas as crianças que vão à igreja vão pro céu, mas eu não vou pro céu! Então pra onde eu vou? Talvez leve meu ursinho comigo!'' (risos).


E hoje, você acredita?
Não. Sinto que há vários deuses, mas o maior deles é como uma grande corporação, uma invenção dos líderes da sociedade para controlar as pessoas. É muito conveniente: só há um Deus, ele está no comando de tudo, é maior que você, e você não pode incomodá-lo. E eu não posso nem falar com ele! Eu gostaria de ter esse emprego! (risos). Iggy Pop: ''representante de Deus na Terra'', nada mal, hein?



É bom ficar mais velho?
Tem sido para mim. Estou me saindo bem, melhor do que em qualquer outra idade. Estou muito mais confiante, objetivo, gosto de mim tanto quanto antes ou até mais, meus problemas são mais específicos, as coisas não estão uma confusão completa. Estou um pouco mais controlado. Após um tempo, você sabe do que pode se safar ou não.


Podemos dizer que você começa nova fase na vida?
Estou abrindo novas portas no meu castelo que eu nunca tinha entrado. Mas isto não significa que vou evitar o banheiro (risos), que é o lugar onde vivi toda a minha vida e fiz as minhas melhores músicas.


E como você se imagina no futuro, daqui a uns dez anos?
Nunca fiz isso. Eu apenas arrumo as coisas para que eu possa tocar um pouco de guitarra, cantar, escrever uma letra ali, dar uma volta, arranjar um emprego temporário - já fui garçom e hoje em dia sou ator também; este é o único emprego legalizado que tive.


Você se cansou do rock?
Quando comecei, nos anos 60, eu tocava bateria em bandas pequenas e via ao meu redor uma gloriosa paisagem. Você olhava para a esquerda e lá estava Syd Barret, e você olhava pra frente e via o Kinks, e atrás, Chuck Berry e Bo Diddley, e no outro lado, Bob Dylan, e atrás dele, escritores como Ginsberg e Burroughs... Hoje você tem livros de autoajuda do Deepak Chopra (risos)! Você tem U2, Coldplay e novas bandas de neopunk que eu ouço e depois nem lembro os nomes. Sabe, eu não fico muito inspirado por isso.

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