''Já fui sanfoneiro, rei do baião, quase sumi na poeira. Agora, sou lúdico, autêntico. Virei um tal de folclore.'' Assim Luiz Gonzaga, então com 60 anos de vida, se definia no encarte da série Disco de Bolso do ''Pasquim'', em 1972.
Agora, 20 anos após sua morte, o ''folclore'' em torno da figura de Gonzaga pode ser redimensionado. A data redonda reacende, ainda que timidamente, as luzes sobre o artista - raiz da formatação da música popular brasileira no século 20.
Em termos musicais, surgem agora alguns poucos lançamentos em que seu nome está envolvido. O principal é um disco com regravações de valsas que Gonzaga compôs na década de 1940 - algumas ganharam letras inéditas por artistas como Zeca Baleiro, Abel Silva, Fernando Brant e Capinan. 'Luas do Gonzaga' tem lançamento previsto para o início do ano que vem.
Projetos maiores, no entanto, estão previstos para mais adiante. Ainda sem data definida, um museu dedicado à obra do artista deve ser inaugurado em Pernambuco.
E um longa contando parte de sua história tem estreia programada para 2011 - um ano antes daquele que seria o centésimo aniversário do músico.
Baseado na biografia da jornalista Regina Echeverria, o longa ''Gonzaguinha e Gonzagão - Explode Coração'' já está em processo de pré-produção. A direção fica aos cuidados de Breno Silveira, o mesmo de ''2 Filhos de Francisco''.
Como fez no trabalho dedicado a Zezé Di Camargo e Luciano, Breno vai partir da vida real para criar um filme não documental, que pode incluir licenças poéticas. O roteiro, que já está pronto, parte do olhar do filho Gonzaguinha para contar algumas das histórias do pai.

mockup