Gogós alternativos em nova temporada
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
Os adeptos do rock alternativo são pródigos em criticar as cantoras de gogó virtuoso da MPB. Mas também fazem questão de consagrar suas divas - duas delas, a cantora islandesa Bjork e a inglesa Beth Gibbons, têm seus mais recentes CDs lançados no Brasil pela Universal.
Greatest Hits, como aponta o título, compila os supostos melhores momentos do nem sempre atravessável labiritinto musical de Bjork. 14 canções foram escolhidas por fãs na internet entre os cinco álbuns da cantora e uma inédita, Its In Our Hands, completa o disco.
Após se tornar conhecida das platéias alternativas com os Sugarcubes, na virada dos anos 80 para 90, Bjork estreou solo em 1993, com Debut. Tornou-se conhecida pela mistura de batidas digitais com vocais operísticos e cordas, até com sutis toques brasileiros. Ela tem Falso Brilhante, de Elis Regina, como um de seus discos de cabeceira e trabalhou com o arranjador e produtor Eumir Deodato, bem quisto no ambiente da MPB.
Como repertório, Greatest Hits é corajoso ao não ter vergonha em se assumir tão irregular como tudo na discografia de Bjork. Dessa forma, diamantes raros como Army Of Me, Venus As A Boy, All Is Full Of Love e Human Behaviour aparecem ladeados às turmalinas Pagan Poetry, Hidden Place e Big Time Sensuality.
Ao contrário de Bjork, Beth Gibbons só acertou ao longo de sua curta carreira, que anteriormente se resumia ao Portishead, ídolo máximo do chamado trip hop. O grupo não solta disco há quase cinco anos e a cantora lança seu primeiro trabalho solo, Out Of Season, meio que para matar a saudade dos fãs. Para isso, a moça se juntou ao multiinstrumentista Paul Webb, ex-Talk Talk, o Rustin Man com quem Gibbons divide os créditos do CD.
Apesar de podar alguns detalhes do Portishead, como os contornos eletrônicos, a cantora oferece canções com o mesmo princípio ativo de seu emprego principal: baladas soturnas com ar dramático e chique, ideais para quem não consegue encontrar deleite maior na vida do que o comichão de uma bela fossa.
Os arranjos perseguem o que há de mais antiquado na música ocidental, como folk, blues e um sotaque jazz ainda mais acentuado do que no próprio Portishead - vide as manhosas Tom The Model e Romance, onde Gibbons, com aquele bronzeado lombriga típico de Bristol, encarna divas negras do estilo, como Billie Holiday.
A produção valoriza esse ar de época, ao privilegiar pianos e violões, bateria gravada em poucos canais e suntuosos arranjos de cordas, que soam como qualquer coisa, menos 2003. No bolo de canções impecáveis, a trinca Resolve, Drake e Funny Time Of Year chega a ser covardia. Ponto para Gibbons, que jura que se reuniu ao parceiro Adrian Utley para lançar ainda este ano o novo do Portishead. Mas Out Of Season torna desnecessária qualquer espera.


