Os adeptos do rock alternativo são pródigos em criticar as cantoras de gogó virtuoso da MPB. Mas também fazem questão de consagrar suas divas - duas delas, a cantora islandesa Bjork e a inglesa Beth Gibbons, têm seus mais recentes CDs lançados no Brasil pela Universal.
  ‘‘Greatest Hits’’, como aponta o título, compila os supostos melhores momentos do nem sempre atravessável labiritinto musical de Bjork. 14 canções foram escolhidas por fãs na internet entre os cinco álbuns da cantora e uma inédita, ‘‘It’s In Our Hands’’, completa o disco.
  Após se tornar conhecida das platéias alternativas com os Sugarcubes, na virada dos anos 80 para 90, Bjork estreou solo em 1993, com ‘‘Debut’’. Tornou-se conhecida pela mistura de batidas digitais com vocais operísticos e cordas, até com sutis toques brasileiros. Ela tem ‘‘Falso Brilhante’’, de Elis Regina, como um de seus discos de cabeceira e trabalhou com o arranjador e produtor Eumir Deodato, bem quisto no ambiente da MPB.
  Como repertório, ‘‘Greatest Hits’’ é corajoso ao não ter vergonha em se assumir tão irregular como tudo na discografia de Bjork. Dessa forma, diamantes raros como ‘‘Army Of Me’’, ‘‘Venus As A Boy’’, ‘‘All Is Full Of Love’’ e ‘‘Human Behaviour’’ aparecem ladeados às turmalinas ‘‘Pagan Poetry’’, ‘‘Hidden Place’’ e ‘‘Big Time Sensuality’’.
  Ao contrário de Bjork, Beth Gibbons só acertou ao longo de sua curta carreira, que anteriormente se resumia ao Portishead, ídolo máximo do chamado trip hop. O grupo não solta disco há quase cinco anos e a cantora lança seu primeiro trabalho solo, ‘‘Out Of Season’’, meio que para matar a saudade dos fãs. Para isso, a moça se juntou ao multiinstrumentista Paul Webb, ex-Talk Talk, o Rustin Man com quem Gibbons divide os créditos do CD.
  Apesar de podar alguns detalhes do Portishead, como os contornos eletrônicos, a cantora oferece canções com o mesmo princípio ativo de seu emprego principal: baladas soturnas com ar dramático e chique, ideais para quem não consegue encontrar deleite maior na vida do que o comichão de uma bela fossa.
  Os arranjos perseguem o que há de mais antiquado na música ocidental, como folk, blues e um sotaque jazz ainda mais acentuado do que no próprio Portishead - vide as manhosas ‘‘Tom The Model’’ e ‘‘Romance’’, onde Gibbons, com aquele bronzeado lombriga típico de Bristol, encarna divas negras do estilo, como Billie Holiday.
  A produção valoriza esse ar de época, ao privilegiar pianos e violões, bateria gravada em poucos canais e suntuosos arranjos de cordas, que soam como qualquer coisa, menos 2003. No bolo de canções impecáveis, a trinca ‘‘Resolve’’, ‘‘Drake’’ e ‘‘Funny Time Of Year’’ chega a ser covardia. Ponto para Gibbons, que jura que se reuniu ao parceiro Adrian Utley para lançar ainda este ano o novo do Portishead. Mas ‘‘Out Of Season’’ torna desnecessária qualquer espera.

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