Goethe exibe vídeos sobre Pina Bausch
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Zeca Corrêa Leite 
Os fãs da dança têm até sexta-feira para ver, todas as noites, às 19h30, a arte da coreógrafa alemã Pina Bausch, no auditório do Instituto Goethe. Uma das maiores celebridades do balé moderno em todo o mundo, a artista é tema da mostra promovida pelo Goethe em parceria com o Museu da Imagem e do Som. A entrada é franca.
A programação traz dois vídeos a cada sessão. Hoje, será exibido Imagens de Peças de Pina Bausch, de 1990, dirigido por Kay Kirchmann e Valsa. O primeiro é uma série de registros feitos durante as apresentações do grupo em Palermo, Paris, Bari e Wuppertal.
Mostra trechos de Ele a pega pela mão e a conduz ao castelo, os outros seguem, de 1978, Cravos e Valsa, de 1982, e Palermo, Palermo, de 1989. O segundo vídeo da noite, Valsa, com 55 minutos de duração, trazendo trechos do espetáculo criado a partir de hinos de diversos países e de canções de Edith Piaf e Tino Rossi.
Amanhã serão exibidos Café Muller e A la Búsqueda de la Danza - El Otro Teatro de Pina Bausch. O primeiro, dirigido por Peter Schaffer, em 1985, mostra uma das primeiras obras conhecidas da coreógrafa, que se tornou um marco da linguagem dança-teatro. Num salão de café, pessoas se buscam e se perdem no espaço repleto de mesas e cadeiras.
A la búsqueda de la danza, de 1993, dirigido por Patrícia Corboud, é um documentário sobre o trabalho de Pina, na busca constante de formas novas e artísticas de expressas temas existenciais através da dança.
Na quita-feira, o programa é formado por Barba Azul, em versão integral, e Um Jour Pina a Demandé. A ópera de Béla Bartók, O Castelo de Barba Azul, serve de base para a dança, já o segundo vídeo reúne imagens de espetáculos apresentados em Milão, Veneza, Avignon, com trechos de Vem Dançar Comigo (1977), Pátio de Contatos (1978), Valsa (1982) e Cravos (1983).
A própria Pina Bausch é a diretora de El Lamento de la Emperatriz, primeiro longa-metragem da coreógrafa, rodado entre outubro de 1987 e abril de 1989. As estações do outono, inverno e primavera são determinantes no roteiro do vídeo, em sua parte externa. Já a parte interna retrata o método de trabalho da bailarina, desenvolvido com o Teatro de Dança de Wuppertal, desde a temporada de 1973/74.
El Lamento não teve um roteiro escrito previamente. Ele é composto de colagem e montagens de cenas, reproduzindo determinadas situações e provocando variadas associações. No centro do filme está a inutilidade da vida, a procura do amor. Sente-se o desespero. O filme é um lamento, diz Pina Bausch.


