Godot com sotaque nordestino
De Curitiba
A missão de abrasileirar um clássico do teatro contemporâneo não é fácil. No entanto, o texto Esperando Godot, escrito pelo Prêmio Nobel de Literatura Samuel Becket, ganhou sotaque nacional com o grupo curitibano Tribo, sob direção de David Mafra. O espetáculo fará a sua estréia hoje à noite e poderá ser visto até o domingo.
Uma das mais importantes montagens do gênero Teatro do Absurdo ganhou referências novas e, até mesmo o nome dos personagens principais foram alterados: os dois amigos vagabundos, por exemplo, que na versão original se chamavam Vladimir e Estragon, se transformaram em Valdomiro e Estevão.
Na cena em que um deles comenta que poderia se jogar da Torre Eiffel, o local foi substituído pelo Viaduto do Chá, em São Paulo. Vagar pelos Pirineus se transformou em viajar pela Chapada, conta o diretor do espetáculo.
Apesar destas adaptações, a força do texto continuou a mesma. Becket aborda temas sempre atuais, que fazem parte da formação das pessoas, comenta ele. Na opinião de Mafra, a força da obra do dramaturgo é comparável a de Shakespeare ou das tragédias gregas.
O texto que trabalha o existencialismo, o inter-relacionamento e a solidão estreiou em 1953, em Paris. O espetáculo conta a história de dois amigos vagabundos, que estão esperando por Godot. Quem é Godot é uma incógnita, cada espectador tem uma visão diferente e uma leitura própria sobre o enigma, explica o diretor.
A peça Esperando Godot, de Samuel Becket, com direção de David Mafra, ficará em cartaz nos dias 22 e 23 às 21 horas e nos dias 24 e 25 às 18 e 21 horas, no Teatro Antônio Carlos Kraide, no Centro Cultural do Portão. O preço dos ingressos é R$ 5,00 e R$ 2,50 (bônus, classe artística e estudantes). Maiores informações pelo fone 342-3156.





