Há uma década distante dos palcos brasileiros, o cantor, compositor, guitarrista e produtor norte-americano Johnny Rivers, 65 anos, está no Brasil. No próximo dia 13 ele faz um show do Teatro Guaíra, em Curitiba. Rivers é uma referência do Rock internacional. Ele já vendeu mais de 25 milhões de discos, tem 9 canções entre as 10 melhores da Billboard e 17 entre as 40 melhores. Acompanhado por sua banda, Johnny Rivers apresentará ao público seus maiores sucessos, como ''Do You Wanna Dance'', ''Secret Agent Man'', ''Poor Side of Town'', ''Baby I need Your Lovin'' e ''The Tracks of My Tears'' e ainda promete mostrar canções inéditas que está gravando no estilo jazz. O novo álbum fica pronto em agosto.

O músico nascido em Nova York, em 1942, surgiu no cenário americano ao mesmo tempo em que os Beatles chegavam com sua ''I Wanna Hold Your Hand''. Amigo de Elvis, Chuck Berry, George Harrison e criador do Monterey Pop Festival, hoje, Rivers prega o vegetarianismo, faz ginástica diariamente, não toma drogas e bebe pouco.

Como o senhor entrou no ramo da música?
Foi através do guitarrista James Burton. Conheci ele na Louisiana, no final dos anos 50. Tinha composto uma música que todos achavam perfeita para Ricky Nelson. Burton disse que ficaria mais três dias na cidade e voltaria para Hollywood, justamente para gravar com Ricky. Gravei uma fitinha com a minha voz e o violão e coloquei meu telefone. Um mês depois, Burton me ligou dizendo que Rick havia adorado a música e iria gravá-la. Achei que ele estava de brincadeira. Na época, Ricky era o maior ídolo da juventude, pois Elvis Presley estava no exército. Ele era o número 1 e vendia milhões de discos.

Falando em Elvis, o senhor o conheceu na época, não?
Não conheci Elvis nos anos 50, mas no começo dos 60, aqui na Califórnia. Acabei ficando amigo dele. Frequentava sua casa, tocávamos juntos. Depois que comecei a fazer sucesso, montei um estúdio em Sunset Strip (Hollywood) e ele ia sempre lá. Saíamos à noite, nos divertíamos. Quando ele fez seu grande retorno em Las Vegas (1968), estive em seu primeiro show. Ele me apresentou para a platéia, fui aplaudido.

Como você reagiu à morte de Elvis, em 1977?
Foi um choque, como a morte de John Lennon e de George Harrison. Apesar de saber que ele estava com a saúde debilitada, uma morte assim é sempre algo que você nunca espera. Todos os amigos esperavam que do nada ele entrasse numa dieta, perdesse peso e voltasse a ficar saudável.

Mas ele escutava os conselhos?
O problema é que ninguém falava coisas assim para ele. Todos tinham medo de dizer.

Quais foram os artistas que seguiram de alguma maneira o seu estilo?
Muitos grupos me citaram como influência. Um deles foi o R.E.M., em um artigo para a revista ''Time''. Diziam que eu era um dos artistas que mais escutavam quando começaram. Em seu livro ''Chronicles'', Bob Dylan disse que de todas as versões que existem das músicas dele, a que ele mais gosta é a minha de ''Positively 4th Street''. Diz que é melhor do que a que ele próprio gravou.

Os Beatles e toda a invasão britânica (bandas inglesas que viraram sucesso nos Estados Unidos na década de 60) explodiram no mesmo mês em que o senhor lançou seu primeiro disco.
Meu primeiro disco com a gravação de Memphis, de Chuck Berry, e ''I Wanna Hold Your Hand'', dos Beatles, saíram na mesma semana! Depois do show que fizeram no Hollywood Bowl (1964), os Beatles foram assistir ao meu show no Whisky a Go Go (famoso clube de Hollywood). Lembro que começou uma confusão em um dos lados do clube. Falei com o meu baixista que achava que poderia ser um incêndio. Na realidade eram os Beatles (risos).

E de qual beatle mais gostou?
Fomos nos conhecer de verdade quando toquei na Inglaterra depois, em uma turnê promocional para a gravadora. Apesar de todos serem amáveis, imediatamente me identifiquei com George Harrison. Ficamos amigos.

Mas a invasão britânica foi boa para a música americana?
O problema foi que muitos artistas tentaram ser iguais aos Beatles: ter o mesmo cabelo, vestir as mesmas roupas e tocar as mesmas canções. É como tentar imitar o Elvis. Você fica limitado. Sobrevivi a todo esse tempo porque sempre mantive o meu estilo.

Como inventou o go go Sound?
Ficou conhecido com esse nome porque foi no club Whisky a Go Go que comecei minha carreira. O nome veio de Paris. O Whisky a Go Go foi um sucesso desde a noite de estréia e tudo na época virou ''go go''. Na realidade, era apenas eu tocando rock'n'roll no estilo Chuck Berry, como sempre fiz desde o colégio.

Conheceu Chuck Berry?
Conheci depois que gravei Memphis. Depois disso, ficamos amigos, tocamos juntos e acabei gravando mais músicas suas. Ele podia ser uma figura difícil, mas comigo sempre foi muito amável.

Como reagiu a todo o sucesso naquele tempo?
Eu já vinha tocando e viajando há muito tempo, em Nova York, Nashville, New Orleans. Levei sete anos nessa vida, sem ter reconhecimento e dinheiro antes de estourar no Whisky. Quando tudo aconteceu, foi ótimo. Me deu a confiança de continuar e de ficar muito tempo dentro de um estúdio. Isso fez minha música dar um salto de qualidade. Do simples ''go go sound'', começaram a ficar bem construídas, com orquestra e arranjos.

Como quer ser lembrado pelas próximas gerações?
Sou um dos poucos sobreviventes (risos). Quero ser lembrado por fazer rock e por divertir as pessoas.

E do Brasil, o que lembra?
Do concerto de graça no Ibirapuera, em 1998. Foi algo que eu sempre quis fazer, mas que não foi fácil. Queria fazer um concerto para os pobres. A maioria dos meus shows no Brasil são feitos para pessoas bem nascidas, que podem pagar ingressos caros. Gostaria de fazer um outro concerto dessa maneira.

SERVIÇO
- Johnny Rivers
Quando - Dia 13 de maio
Onde - Teatro Guaíra, em Curitiba, 21h
Quanto - R$ 250 (platéia), R$ 200 (1º balcão), R$ 150 (2º balcão) Meia-entrada para estudantes e pessoas acima de 60 anos
Mais informações - Tel. (41) 3315-0808/ 3304-7982/ 2105-5799

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