GNT retrata cultura e boemia do bexiga
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segunda-feira, 20 de abril de 1998
Ranulfo Pedreiro 
Arquivo FolhaElis Regina: foi no Bexiga que ganhou
com Arrastão o Festival de 1966A madrugada avançava e um nevoeiro se incumbia de esconder o resto da cidade, tornando o bairro do Bexiga uma ilha sem arranha-céus, distante do ritmo frenético da capital paulista. Um pedaço da Itália que guardava, no silêncio da hora tardia, histórias de boemia, melancólicas como a figura de Adoniran Barbosa.
Havia uma cantina, cujo nome evaporou-se em doses etílicas, em que o dono ostentava nas paredes todos os cheques-frios que recebia. O Bexiga não omite sua pobreza, revela-a com a sinceridade herdada dos imigrantes italianos. Mas, infelizmente, a intimidade com o bairro não passou de poucas visitas, algumas voltas pelos bares, um roda de violão, conversa jogada fora e recordações.
Agora o GNT oferece uma chance de contornar esse delito. O canal exibe, a partir das 22 horas, o primeiro episódio da série Broadway, Bexiga, que retrata os costumes e as histórias de um dos bairros mais tradicionais de São Paulo.
Arquivo FolhaAdoniran Barbosa: entre os
ilustres personagens do Bexiga
A série é composta por seis programas e dezenas de depoimentos que tentam desvendar os meandros da Bela Vista, Bexiga ou Bixiga, como preferem alguns. Ainda no final do século passado chamava-se Chácara da Samambaia, local onde Antônio Bexiga dirigia uma estalagem pouco recomendada pela falta de higiene. Com o tempo, as ruas chegaram ao local e os terrenos foram vendidos a preço de banana.
A fama da falta de segurança já existia nessa época. No matagal onde o bairro aflorava se encontravam desde escravos fugitivos até encrenqueiros em geral. Os italianos chegaram no começo do século 20, desenvolvendo os contornos que ainda hoje caracterizam o bairro.
Com os italianos - calabreses e napolitanos - proliferaram-se as cantinas, a comida típica, o jogo do truco e as canções comandadas pelo violão e bandolim, que contrastavam com os batuques dos antigos moradores. A mistura só podia resultar num samba italiano, como exaltava Adoniran Barbosa. Não é à toa que a Vai-Vai, escola de samba da região, foi a campeã do Carnaval de São Paulo deste ano.
O Bexiga não só desenvolveu uma cultura característica. Abrigou também espetáculos que muitas vezes passavam ao largo do samba, das músicas napolitanas e ganhavam residência nos vários teatros que ainda se espalham pelas suas ruas. Não faltaram comparações com o centro de shows nova-iorquino, daí o apelido de Broadway paulistana.
Foi ali que Elis Regina ganhou com Arrastão o Festival de Música realizado em 1966 no Teatro Excelsior. Na região também surgiu o Teatro Brasileiro de Comédia e funcionou o Paramount, que abrigava o Fino da Bossa de Elis Regina e Jair Rodrigues.
Pelo Bexiga passaram Millôr Fernandes, Tom Jobim, Chico Buarque, Ruth Escobar, Manabu Mabe, Volpi, Heitor dos Prazeres, Tomie Othake, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Ben, Gal Costa e muitos outros. Motivos não faltam para conferir a série, que traz direção de Guga de Oliveira.
Broadway, Bexiga:
A Revolução Cultural - Hoje, às 22 horas. Reprises: amanhã, às 9 e 16 horas, e madrugada de quarta para quinta, às 5 horas.
A Era do Aquarius - Amanhã, às 22 horas. Reprises: quinta, às 9 e 16 horas, e madrugada de quinta para sexta, às 5 horas.
To Be Or Not To Bexiga - Quinta-feira, às 22 horas. Reprises na sexta, às 9 e 16 horas, e madrugada de sexta para sábado, às 5 horas.
MPBexiga - Sexta-feira, às 22 horas. Reprises: sábado, às 9 e 16 horas, e madrugada de sábado para domingo, às 3 horas.
Hora e Vez do Cinema - Sábado, às 22h30. Reprises: domingo, às 8 e 16 horas, e madrugada de domingo para segunda, às 5 horas.
Bairro Boêmio, Uma Parada - Domingo, às 23 horas. Reprises: segunda, às 8 e 14 horas, e terça, às 6 horas.


