Há exatos 30 anos, numa sexta-feira 13, a novela Beto Rockfeller era interrompida por um aviso: o governo militar baixava o Ato Institucional n.º 5. Era o início oficial da censura, das perseguições políticas e das decisões arbitrárias da ditadura militar. As causas e consequências desse momento negro da história brasileira são o assunto do novo programa da série ‘‘500 Anos de História do Brasil’’, que será exibido amanhã, às 21 horas, no GNT (Net).
Produção do ator Guilherme Fontes, o especial traz fotos, algumas imagens e entrevistas com personalidades como Zuenir Ventura, Cacá Diegues, Antônio Carlos Magalhães e Fernando Gabeira. É o ex-ministro do Trabalho Jarbas Passarinho quem faz a declaração mais controversa: diz que é preciso ser ‘‘desinformado’’ para achar que o AI-5 foi o mais duro instrumento na história da política brasileira.
O documentário, que também fala de censura, de tortura e dos movimentos de reação à ditadura, divide espaço com um debate. De um lado, está o ex-ministro da Marinha Ivan Serpa. De outro, o advogado Modesto da Silveira. O escritor Fernando Morais faz a mediação de momentos exaltados. Vale conferir, mas, pena, o formato faz lembrar os programas de televendas americanos, com direito até mesmo ao entusiasmo artificial dos aplausos. Tem pinta de programa ao vivo, abrindo mão do conhecido (e útil) recurso da edição.
Também é de lamentar-se que a parte documental não tenha ouvido o ex-deputado Márcio Moreira Alves, cuja declaração é tida como estopim do AI-5. Mas isso não chega a alterar o mérito do programa, em seu esforço para manter viva a lembrança de tempos que não deveriam ter existido.

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