O Woody Allen ator, roteirista e diretor todos conhecem. Mas e o Woody Allen instrumentista de jazz? Para os fãs de carteirinha, a informação é parte obrigatória da biografia corrente, mas muito poucos já viram o artista em ação. Para mostrar as virtudes do clarinetista Woody Allen, o canal pago GNT programou para hoje, às 23h20 a exibição do documentário, ‘‘Woody Allen in Concert’’ (Wild Man Blues), lançado nos cinemas brasileiros em 1998.
Neste longa-metragem de 90 minutos que aos poucos vai se revelando delicioso, a diretora Barbara Kopple fez rigorosa profissão de fé na variante documental do ‘‘cinéma verit钒 . O filme, que acompanha a turnê européia de Woody & banda em 1996 (segundo o filme, é o único grupo contemporâneo tocando musica no velho estilo de New Orleans) é uma rara oportunidade não apenas para aficcionados de blues e ragtime. ‘‘Old Man Blues’’ é também um convite para passar algum tempo em companhia do comediante, escritor e realizador responsável por uma obra artística determinante para o século 20. E estar um pouco mais próximo do homem sistematicamente caluniado nos Estados Unidos por causa de sua vida pessoal. Tanto a diretora Kopple como o personagem Allen tiveram bem claro este último aspecto: a ex-enteada e atual mulher de Allen, Soon Yi Previn, é presença constante no filme. Em determinado momento, Woody a apresenta, obviamente com ironia, como a ‘‘famosa Soon Yi Previn’’.
Com uma câmera arguta e olhos afiados, Barbara Kopple captura os melhores flagrantes musicais daquela temporada, observando Allen com enfoque diferente de tudo o que já se viu. A transferência, o êxtase, o nirvana em que se mete Woody quando toca é algo inesperado quanto exuberante para o espectador. Entre uma e outra apresentação, o artista interage com extrema espontaneidade com a irmã, Letty Aronson, e com a então futura mulher, Soon Yi. A relação com a garota é visível, natural e discreta. Afinal, o cenário é a Europa. Claro, a veia humorística está em vigília constante, explorada via hipocondria, claustrofobia – um estranho medo de gôndolas em Veneza, sua cidade preferida depois de Nova York – e uma inesperada visita aos pais.

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