Quando a Alemanha levou a cabo o sonho expansionista pela Europa, deflagrando a Segunda Guerra, Hitler lembrou de uma atriz berlinense que admirava e vivia em Hollywood. Era tarde demais. Marlene Dietrich estivera em seu país em 1931 e vira o suficiente para levar a filha e o marido para os EUA. Ao contrário do que desejava o líder nazista, Dietrich trabalhou com afinco pelos aliados, fazendo apresentações no front para distrair os soldados.
As atitudes decididas, muitas vezes, vinham acompanhadas de sarcasmo. Dietrich satirizava atores americanos porque liam pouco - ‘‘tinham grão-de-bico no lugar de cérebro’’, declarou certa vez. John Wayne, que a confessou nunca ter lido um livro até o final, ouviu como resposta que pelo menos ele tinha inteligência para ganhar dinheiro com cinema.
Misturando ironia com beleza e talento, Marlene Dietrich se tornou uma das atrizes mais famosas do cinema. O GNT mostra, a partir das 19h30, o documentário ‘‘Nenhum Anjo: A Vida de Marlene Dietrich’’. A atriz completaria, no último dia 27, 97 anos.
A data é duvidosa. Há quem diga que Dietrich nasceu em 1901, 1902 ou 1904. Maria Magdalene Dietrich von Losch estudou violino na infância e passou a atuar, quando foi descoberta por Josef von Sternberg, que a convidou para interpretar a dançarina de cabaré Lola Lola, em ‘‘O Anjo Azul’’. Anteriormente, a atriz só havia feito pequenos papéis no cinema.
A sensualidade da personagem conquistou crítica e público, e Dietrich foi para Hollywood, ainda sob as asas de Sternberg. O diretor se tornou um especialista em achar personagens que se adaptavam à interpretação da atriz. Ao mesmo tempo, Dietrich não se limitava a decorar roteiros. Além de preocupar-se com a formação intelectual, ela era uma profissional que não se limitava às gravações e conhecia em detalhes todo o processo de produção cinematográfica.
Marlene Dietrich protagonizou filmes como ‘‘Marrocos’’, de 1930, ‘‘Desonrada’’, de 1931, ‘‘O Expresso de Xangai’’ e ‘‘A Vênus Loira’’, de 1932, entre outros. Enquanto sua carreira deslanchava com a fama de mito cinematográfico, Dietrich colecionou amantes. Envolveu-se com escritores como Ernest Hemingway e Erich Maria Remarque, e diretores como Orson Welles - com quem trabalhou em ‘‘A Marca da Maldade’’ - mas nunca desfez o casamento com Rudolf Sieber, pai de Maria Riva - que posteriormente escreveria uma biografia espinafrando a mãe.
Já nos anos 50, Marlene Dietrich preferiu o palco. A partir dessa época, a atriz sofreu alguns acidentes que lhe causaram problemas nas pernas. Certa vez, em Washington, caiu no fosso da orquestra. Em Sidney, na década de 70, também caiu no fosso e quebrou a perna. Muitos apostam nas quedas como o motivo principal para a atriz utilizar cadeira de rodas na velhice. Seu último filme foi ‘‘Apenas um Gigolô’’, realizado em 1978.
Com idade avançada, Dietrich se trancou em um apartamento em Paris, vivendo em isolamento. Vaidosa, costumava - no auge da carreira - exibir o rosto sem cicatrizes a quem lhe perguntasse sobre cirurgias plásticas. Quando os sinais da maturidade se tornaram excessivamente evidentes, ela se recolheu, até morrer de pneumonia em 1992.
Nenhum Anjo: A Vida de Marlene Dietrich - Documentário. A partir das 19h30, no canal pago GNT.

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