GNT apresenta João do Rio ao século 21
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
Marcos Pierry Agência Estado 
O jornalista e escritor João do Rio (1881-1921), andarilho urbano com forte senso de observação, deixou páginas valiosas sobre o Rio de Janeiro de 90, cem anos atrás. Em sua homenagem, a diretora Kika Lopes realizou o documentário João do Rio e a Alma Encantadora das Ruas, de 60 minutos, que o GNT exibe em duas partes, hoje e amanhã, às 22h30.
Com narração de Paulo José e Antonio Abujamra, o documentário tem música de Ivo Meireles e depoimento de críticos, escritores e jornalistas, entre os quais Zuenir Ventura, João Silvério Trevisan e Silviano Santiago. O urbanista Augusto Ivan Barreto participa, contextualizando a trajetória de João do Rio com os anos de radical transformação da cidade.
Sempre associado ao trinômio gordo, mulato e homossexual, que aliás não lhe garantiu vaga nenhuma na posteridade, João do Rio foi o literato mais polivalente da sociedade carioca nas décadas de 1900 e 1910. Ingressou no jornalismo aos 17 anos, destacou-se como repórter, cronista (A Tribuna, Momento Literário, Gazeta de Notícias, O País) e foi avançando literatura a dentro como tradutor (Oscar Wilde), autor de contos, romances e peças. Seu primeiro livro, As Religiões no Rio (1904), vendeu 10 mil exemplares em três anos.
Pela importância do que escreveu sobre o povo do Rio daquela época, desvendando o jeito de viver, a música e as religiões de pobres e marginalizados, chega a constar em enciclopédias também como folclorista. Era apenas um excelente repórter, o primeiro a visitar cadeias para ver de perto a situação dos presos. Trouxe para o Brasil a reportagem in locus e o formato pingue-pongue de entrevista. Ele transformou as andanças pelo Rio em reportagens que reuniria depois em livro: A Alma Encantadora das Ruas (1908), peça fundamental para quem estuda o período, que serviu de premissa para Kika Lopes. A edição mais recente, de 1997, é da Companhia das Letras.


