É como dona Lindu, a ''mãe guerreira'' de ''Lula, o Filho do Brasil'' que Glória Pires será vista, nas próximas semanas, em outdoors e comerciais de TV país afora. Mas é como Baby, a professora de violão de ''É Proibido Fumar'', que ela vive seu grande papel.
O filme foi o grande vencedor do 47º Festival de Brasília com 7 prêmios concedidos pelo Júri Oficial: Melhor Filme, Melhor Ator (Paulo Miklos), Melhor Atriz (Glória Pires), Melhor Atriz Coadjuvante (Dani Nefussi), Melhor Roteiro (Anna Muylaert), Melhor Direção de Arte (Mara Abreu), Melhor Trilha Sonora (Márcio Nigro) e Melhor Montagem (Paulo Sacramento). O longa-metragem ainda recebeu o Prêmio da Crítica, de Melhor Filme.
Pelas mãos de Muylaert, a atriz foi colocada num outro trilho do cinema: aquele dos filmes de autor, feitos com dinheiro contado e pouco alarde. ''Nunca tinha feito filme assim. Por ser uma produção menor, não imaginava que pudesse ser tão organizada'', confessa.
Glória Pires, rosto dos blockbusters ''Se Eu Fosse Você'' e ''A Partilha'', tampouco havia participado de uma mostra competitiva num festival de cinema.
Baby é a quarentona que vive sozinha no apartamento herdado da mãe, decorado à anos 50, ensina violão para alunos pouco talentosos e leva a vida sem maiores emoções ou dramas.
Max, vivido por um Paulo Miklos de ar malandro, é o músico que se muda para o apartamento vizinho e engata um romance com ela. Como sua nova paixão detesta cigarro, Baby passa a frequentar um grupo de autoajuda e, um gole de água mineral aqui, um mantra ali, para de fumar. A partir desse enredo, Muylaert soube armar diálogos e cenas que, entre o absurdo e a ironia afiada, guardam boa dose de afeto.
''O filme era uma espécie de crítica ao casamento, àquilo que você perde quando casa'', define a cineasta. ''Mas o Paulo e a Glória entenderam aquilo como um amor que, mesmo não sendo uma grande história, é o amor possível. Deixaram minha ironia mais amorosa.''
Para Pires, ''É Proibido Fumar'' trata, sobretudo, da rede invisível de proteções que criamos ao nosso redor. ''O cigarro é uma dessas proteções'', diz ela que, como a diretora, começou a fumar aos 12 anos. Ambas são ex-fumantes. Cabe anotar que, piadas à parte, o filme não ergue a bandeira antitabagista.
O longa-metragem, que entra em cartaz no próximo dia 4, lança mão da música, da solidão e do tempo meio fora de lugar para rir do estado de coisas de mundo.

mockup