Glória Menezes celebra 50 anos de TV
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sexta-feira, 10 de maio de 2013
Leonardo Mesquita<br>Folhapress 
São Paulo - Com uma história que se confunde com a da TV brasileira, Glória Menezes, 78 anos, completa, em 2013, cinco décadas de sua primeira novela diária na televisão, "2-5499 Ocupado", exibida pela TV Excelsior. E foi durante essa trama que ela e o também ator Tarcísio Meira, que já se conheciam, começaram um romance. Nesse mesmo ano, os dois resolveram subir ao altar e se casaram.
Atualmente, a atriz rouba a cena na pele da divertida Violeta, no bem-sucedido seriado "Louco por Elas", que vem rendendo à Globo média de 15 pontos. E se engana quem pensa que Glória está cansada de trabalhar. "Eu não quero me aposentar nunca. Enquanto eu estiver bem, com a cabeça boa e com saúde para seguir em frente, vou continuar na televisão, no teatro e nas artes", comenta.
"Sabe qual é o segredo do sucesso de 'Louco por Elas'? É que é um projeto feito com muita vontade e em um clima ótimo, de pura amizade e sintonia entre os atores. Você acha que eu quero sair desta vida estando ao lado de tanta gente competente? Jamais", diverte-se Glória.
De acordo com ela, o momento é de aprender e de ensinar. "Eu adoro entrar no estúdio e conversar com esses meninos jovens. Eles são muito inteligentes. Acho que, mais para frente, muitas outras Glórias vão surgir na televisão brasileira", aposta a atriz.
Com o sucesso e a rotina de gravações, ela afirma que sobra pouco tempo para fazer outras coisas. "Mas eu vivo isso intensamente, gosto de estar no palco e na televisão. Quando tenho um tempinho livre, vou com o meu marido à minha fazenda relaxar. Mas está difícil", assume.
Para especialistas no tema, os 50 anos de TV de Glória Menezes podem ser resumidos em uma palavra: versatilidade. De acordo com o doutor em teledramaturgia pela Universidade de São Paulo (USP) Claudino Mayer, o maior trunfo da carreira da experiente atriz foi ter conseguido fazer diversos tipos de papéis. "Ela é muito versátil e não ficou taxada apenas como mocinha. A vilã Laurinha Figueroa, de 'Rainha da Sucata', por exemplo, foi um marco nessa mudança de postura dela. E ela foi gloriosa", comenta.
Para o autor do "Almanaque da Telenovela Brasileira", Nilson Xavier, o maior destaque na carreira de Glória foi a mensagem que ela passou durante toda a vida. "Ela e Tarcísio, quase sempre juntos como um casal também nas tramas, mostram o valor do amor ao público. Sempre passaram a credibilidade da família", define.
Certa de que teve muitos trabalhos marcantes na TV, a atriz prefere não destacar nenhuma de suas atuações. "Fiz mesmo muitas personagens diferentes, mas cada uma é especial por algum motivo. Todas ficam guardadas na minha memória", garante.
Reconhecimento
Ao longo destas cinco décadas de história na teledramaturgia brasileira, Glória Menezes atuou com muitos colegas. E eles, hoje, sabem reconhecer a importância dela em suas vidas. É o caso do diretor Jorge Fernando, que atuou com Glória em 1979 em "Pai Herói" e a dirigiu pela primeira vez em "Guerra dos Sexos", na versão original de 1983. "Lembro que, certa vez, eu estava com muito frio no estúdio e não tinha casaco. Ela saiu, comprou um agasalho em um shopping e me deu na mesma hora. Não me esquecerei dessa cena jamais."
O ator Milton Gonçalves, que já atuou e dirigiu a atriz na TV, também é só elogios a ela. "Generosa, completa, uma tremenda atriz. Desejo tudo de melhor", afirma.
De acordo com a atriz, muita gente já cruzou o seu caminho. "Ao longo destes 50 anos de TV, fiz alguns amigos que respeito muito. Sou grata."
Amor x trabalho
Mesmo estando casada há 50 anos com Tarcísio Meira, Glória diz que, quando está com ele, não gosta de conversar sobre trabalho. "Ele lê os textos dele de um lado, e eu, do outro. Não gostamos de dar pitacos", conta. Para ela, o segredo de uma relação duradoura é o respeito. "Precisamos respeitar as individualidades. Isso faz o amor perdurar."
A atriz conta o que projeta para os próximos 50 anos. "Prefiro viver o hoje. Mas vou querer sempre fazer o meu trabalho com mais qualidade", finaliza.


