Globo transpõe fronteiras
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Isadora Andrade TV Press 
A Globo quer ganhar o mundo. A partir de junho, a emissora passa a oferecer a TV Globo Internacional para sistemas de canais por assinatura dos Estados Unidos, o Canadá, a América Latina, Japão e Europa por sinal, digital e codificada, para o resto do mundo. A idéia é conquistar o público que fala português e reside nesses países, explica o diretor de Parcerias Estratégicas da Globo, Ricardo Scalamandré. Assim, pelo menos inicialmente, a programação vai ser toda exibida em português - exatamente por isso, a Globo Internacional não será oferecida para Portugal, para evitar concorrência direta com os canais portugueses que compram produtos da emissora brasileira.
Diversas distribuidoras já fecharam contrato de transmissão com a Globo. Assim, nos Estados Unidos, por exemplo, a programação vai ser transmitida pela KBS - que ainda manda os sinais para o Canadá. No Japão, a responsável pela exibição do canal internacional vai ser a IPC. No momento, as distribuidoras aproveitam para fazer os últimos testes de transmissão.
Agora, além das novelas que já eram vendidas a alguns países, o público estrangeiro também vai poder assistir a toda a programação da emissora, de jornalísticos a programas humorísticos e infantis, passando por minisséries e seriados. De toda a programação, apenas os filmes deixarão de fazer parte da grade. É que quando uma emissora compra um pacote de filmes, o contrato permite que as produções sejam exibidas somente no país de origem da empresa. A emissora pretende preencher os horários de Supercine, Tela Quente, Sessão da Tarde, Intercine 1 e Intercine 2 com programas como Globo Repórter e parte da programação da Globo News - canal de notícias por assinatura da Globo - nos horários ocupados por filmes serão, pelos menos, seis horas por dia de reprises. Outro recurso será a reprise de novelas. Sou um entusiasta do projeto. Modéstia à parte, as nossas novelas são muito boas e vão conquistar a todos, anima-se Manoel Carlos.
O investimento em torno de R$ 3,5 milhões no projeto pretende atingir um público estimado em 5,5 milhões de pessoas, de acordo com o Departamento de Parcerias Estratégicas da Globo. Ricardo explica que esse número corresponde a cerca de 1,5 milhão de lares em todos os países. Para ele, pelo menos dois terços desse público deve assinar o canal. Para colocar o canal no ar, a Globo vai gastar cerca de R$ 35 milhões com mão-de-obra, equipamentos, satélite e marketing. O retorno financeiro virá, basicamente, dos assinantes e da publicidade. Ricardo torce para que, a partir do ano 2001, a Globo já comece a arrecadar uma receita de, pelo menos, R$ 4 milhões. Embora mais que um bom negócio financeiro a Globo esteja procurando uma vitrine maior para sua programação e uma internacional mais sólida.
Com transmissão apenas para fora do País, o brasileiro não terá chance de assistir ao canal. Enquanto isso, os assinantes vão poder assistir em tempo real os programas do horário nobre. Das 18 horas à meia-noite, o canal passa a exibir as três novelas, o Jornal Nacional, humorísticos e seriados. Os humorísticos não terão chance de atrair os estrangeiros. Eles não vão entender nada, acredita Bruno Mazzeo, redator de O Belo e as Feras.
Além dos programas do horário nobre, apenas os jornalísticos Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e Jornal da Globo também serão transmitidos em tempo real. Em compensação, por causa do fuso horário, assim como fazem os demais canais por assinatura, alguns programas serão exibidos no mesmo dia, mas em horários alternativos. Vamos transmitir a programação noturna da Globo também no horário nobre dos países estrangeiros, anuncia Ricardo.


