Globo prepara retomada da gravação de novelas
Filmagens devem voltar a ser produzidas em agosto; reprise de 'Fina Estampa' elevou a audiência do horário na quarentena
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sábado, 27 de junho de 2020
Filmagens devem voltar a ser produzidas em agosto; reprise de 'Fina Estampa' elevou a audiência do horário na quarentena
Marcos Roman - Grupo Folha 
A Rede Globo agendou para o início de agosto a volta das gravações das novelas Amor de Mãe e Salve-se Quem Puder. As filmagens respeitarão todos os protocolos de segurança e as cenas de beijo serão produzidas com a ajuda de efeitos especiais. Embora o público esteja ávido pela continuidade das tramas que eram exibidas antes da pandemia, os noveleiros de plantão aprovaram a reprise de "Fina Estampa." A reexibição da telenovela que foi ao ar em 2011 está atingindo 31 pontos, dois a mais do que a emissora registrava antes do isolamento social.
Na avaliação do jornalista Edenilson de Almeida, mestre em Ciências da Comunicação pela USP, o aumento da audiência se deve à quarentena. “Não vejo especificamente como mérito da própria novela. Acho que esse aumento de audiência se deve porque as pessoas estão mais em casa. A grande maioria da população não tem acesso à TV paga e não é todo mundo que consegue pagar Netflix. É importante frisar que a TV paga nos últimos cinco anos teve uma perda significativa de assinantes, algo em torno de 30% que é um número muito expressivo para o setor. Neste momento de crise que as pessoas estão com medo de perder o trabalho essas são as despesas que as pessoas cortam imediatamente”, afirma.
Apesar de fazer críticas ao folhetim escrito por Aguinaldo Silva, o jornalista acredita que a escolha de "Fina Estampa" foi uma decisão acertada para o período. “Particularmente eu não gostei de 'Fina Estampa', pois acho que é uma novela escapista fácil que trata o espectador como pouco inteligente, tudo é muito infantil, é praticamente uma novela mexicana com uma roupa bem feita pela Globo. Apesar disso, é uma novela leve e divertida que não tem nenhum compromisso com a realidade. É praticamente uma briga de gato e rato, tipo Tom e Jerry. Foi um dos grandes sucessos desta década e neste momento de pandemia em que as pessoas estão tão ansiosas, tristes e nervosas por causa da doença é uma novela que tem um pouco de humor e um apelo grande junto ao público, tanto que está fazendo grande sucesso em alguns momentos até mais que 'Amor de Mãe', que foi interrompida”, argumenta.
O jornalista também se divide entre críticas e elogios aos personagens Tereza Cristina e Crô, interpretados por Christiane Torloni e Marcelo Serrado, respectivamente. “A Teresa Cristina é uma vilã de novela mexicana bem tratada com a produção da Globo. Não gosto da personagem, que pra mim não é o melhor da Christiane Torloni. Acho que ela é uma atriz excepcional que já fez papeis bem mais interessantes. Não acho que é uma vilã que está no imaginário das pessoas, porque ela é muito infantilizada. O Crô, de Marcelo Serrado, de fato é um personagem marcante na telenovela brasileira. Tanto é que depois ele teve dois filmes deste personagem. Para mim, é a novela do Crô. Acho que foi uma super sacada do autor e do diretor de colocar um ator num papel totalmente diferente de tudo o que ele tinha feito. Não gosto do personagem, que é caricato, mas acho que o ator o faz brilhantemente”, conclui.
Reprises históricas
Na história das telenovelas brasileiras houve outras duas ocasiões em que a Rede Globo se viu obrigada a exibir reprises no horário nobre, conforme lembra o jornalista Edenilson de Almeida. “A primeira delas foi em 1975, quando a novela 'Roque Santeiro' que na época era com Lima Duarte e Betty Faria no papel de Porcina. A novela foi censurada e colocaram no lugar uma reprise de Selva de Pedra. E, em 1983, a novela 'Sol de Verão' tinha Jardel Filho como protagonista. O ator teve um infarto fulminante e morreu. O escritor Manoel Carlos era muito amigo dele e não teve estrutura para continuar escrevendo a novela. Daí reprisaram 'O Casarão' (1976) até colocar outra novela em produção”, lembra o jornalista.
Vilões memoráveis
Apesar das maldades e da falta de caráter, alguns vilões de folhetins frequentam o ranking dos personagens mais carismáticos da história da TV. “Acho que os vilões têm carisma e sedução porque muitas vezes falam aquilo que a gente tem vontade de falar. Eles não têm padrões morais e por isso são tão adorados”, salienta o jornalista Edenilson Almeida ao listar três vilões históricos. “Considerando que a telenovela brasileira tem mais de 60 anos, acho muito difícil fazer uma lista definitiva, mas vou citar alguns vilões que fizeram a diferença”.

Odete Roitman (Beatriz Segall) - Vale Tudo (1988)
“Acho que a principal vilã de todas as novelas brasileiras, sem dúvida nenhuma, é a Odete Roitman, vivida pela Beatriz Segall na novela Vale Tudo. A novela passou em 1988 e continua tão atual que hoje a única coisa que precisaria ser feito um remake seria atualizar a questão do telefone celular. Ela foi tão marcante que a atriz tinha muita raiva disso, pois nunca mais conseguiu fazer outra novela com tanta repercussão. Ela sempre ficou marcada como Odete”.

Carminha (Adriana Esteves) - Avenida Brasil (2012)
“Outra vilã mais contemporânea que pra mim é sagrada e que entrou para a história das novelas é a Carminha, da Adriana Esteves, em Avenida Brasil. A Carminha é uma vilã que nunca será esquecida, amoral, sem nenhum escrúpulo, sem nenhuma condição de criar empatia positiva. É uma personagem bastante interessante”.

Olavo (Wagner Moura) - Paraíso Tropical (2007)
“Um vilão masculino que acho que as pessoas sempre vão lembrar é o Olavo vivido pelo Wagner Moura na novela Paraíso Tropical. Ele era um cara sem escrúpulos, malvado. Pelo fato ator fazer poucos papeis de vilã, o nesta novela ele conseguiu dar personalidade num cenário que os vilões masculinos não são tão lembrados. Ele que ele fez a diferença, se entregou muito àquele papel".


