São Paulo, 13 (AE) - O início do bandeirantismo em São Paulo, no século 16, conhecido como o primeiro século, é o ponto de partida da minissérie que a escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral está escrevendo para a TV Globo. A série, com direção de Denise Saraceni, faz parte do projeto Brasil 500 Anos e deve ser exibida na nova programação da emissora, no ano que vem. O elenco não está definido. "A série vai revelar um período da história do Brasil que não foi contado e que é muito interesante", diz a autora.
"A Terra Prometida" é o título provisório que certamente será modificado em razão da semelhança com o nome da próxima novela das 8, "Terra Nostra", de Benedito Ruy Barbosa. A série é baseada no romance "A Muralha", publicado por Dinah Silveira de Queiroz, em 1954. O romance já foi adaptado quatro vezes. A primeira vez, em 1953, rendeu uma radionovela de 30 capítulos escrita por Ivani Ribeiro. Em 1958 e 1963 ganhou duas versões para a TV, na Tupi e na Cultura.
A principal adaptação, no entanto, deu-se entre julho de 1968 e março de 1969. Foi feita novamente por Ivani Ribeiro e teve direção de Sérgio Britto e Gonzaga Blota. "A Muralha" foi apresentada em 216 capítulos e transformou-se num dos maiores sucessos da teledramaturgia na época. Na adaptação de Maria Adelaide Amaral, "A Muralha" retrata, assim explica a autora, a fascinante história dos primórdios de São Paulo e da gente paulista, com sua determinação, orgulho, violência e coragem para desbravar regiões inóspitas.
A trama terá seu foco nos séculos 16 e 17, período em que a vila de São Paulo dos Campos de Piratininga não passava de uma aldeia pobre. "São Paulo era uma capitania esquecida pelos colonizadores, longe dos interesses da Coroa, o que permitiu aos seus habitantes manifestar uma independência dos poderes constituídos", explica Maria Adelaide Amaral. Ela frisa que a História servirá sempre de pano de fundo para a história. Piratininga é o destino de quatro passageiros que chegam em busca da realização dos seus sonhos. "Beatriz é uma jovem portuguesa, romântica, que chega à região para casar-se com o primo Tiago, a quem estava prometida", conta a autora. Beatriz vai sofrer com a vida do bandeirante: enquanto os homens saem à caça de índios e de ouro, as mulheres passam os dias cuidando dos filhos. A personagem Antônia, cuja atuação foi ampliada pela autora, é uma prostituta que desembarca na terra prometida determinada a fazer um bom casamento. Ana, nova personagem, é uma cristã-nova fugindo dos horrores da Inquisição e à procura de segurança no novo continente.
Padre Miguel, também criado pela escritora, é um jovem jesuíta que acredita na catequização dos índios, mas acaba colocando seus ideais à prova ao apaixonar-se por uma nativa. A muralha à qual se refere o romance foi construída para proteger as propriedades dos jesuítas da ação dos índios. O livro "Bandeirantes - Os Comandos da Morte" (Editora Imago, Volume 1
253 páginas) , uma edição dos romances históricos de Assis Brasil, descreve assim o episódio: "Ajudada pelos guerreiros de Tibyriçá, Kauby e João Ramalho, que tinha uma tropa de mamelucos
Piratininga resiste e é então que, circundando o escasso casario da vila no local onde hoje se ergue o triângulo central, se levanta a muralha de Piratininga".
Maria Adelaide Amaral estava especialmente feliz na semana passada porque acabara de colocar o ponto final no segundo capítulo da minissérie. "Acho que está muito bom", dizia. Mais empolgada parecia à medida que relatava suas descobertas a partir da leitura de 25 livros sobre o pioneiro bandeirantismo em São Paulo. "Você sabia que havia ouro no Pico do Jaraguá e no Ibirapuera?", perguntava a escritora. "E que o produto de exportação da região era a marmelada?" (J.G.)

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