Picinguaba, SP, 26 (AE) - Um ano após a exibição da microssérie "O Auto da Compadecida", o diretor Guel Arraes começou a realizar outro projeto com o mesmo formato. Agora, vai focalizar um episódio da história do País em "A Invenção do Brasil". Selton Mello é, outra vez, o protagonista, ao lado de Camila Pitanga, Débora Secco, Débora Bloch, Luís Mello e Tunico Pereira. O programa faz parte das comemorações feitas pela Globo dos 500 anos do Descobrimento e irá ao ar a partir de 18 de abril, às 22h30.
Durante uma semana, a equipe de cerca de 40 pessoas gravou em Picinguaba, praia do litoral de São Paulo, distante cerca de 200 quilômetros do Rio. Enquanto o "Auto" foi feito em película, "Invenção" sairá em alta definição (HDTV). O diretor admite que não domina a nova tecnologia. "Os técnicos resolvem os problemas para mim", afirmou. "Mas, por enquanto, não vejo diferenças".
A microssérie, em quatro capítulos, é inspirada na história de Diogo álvares, o Caramuru. Era um português que, por acaso, veio parar no Brasil e escapou de ser morto pelos índios ao dar um tiro para o alto. Assustados, os índios transformaram-no em rei da tribo. Ele se apaixonou pelas índias Paraguaçu (Camila Pitanga) e Moema (Débora Secco) e viveu um romance com as duas.
"Vamos fazer uma comédia que é quase uma fábula", explicou Arraes. Ele e Jorge Furtado levaram cinco meses para escrever o roteiro. As gravações serão realizadas no Rio até metade de fevereiro quando parte da equipe segue para Portugal. Durante 12 dias, gravarão entre Lisboa, àbidos e Batalha.
Arraes evita comparações entre "Auto" e "Invenção" por considerar os projetos muito diferentes entre si. Tanto que define o primeiro como uma "música de câmara" enquanto o segundo seria pop, "algo como neotropicalista". "Invenção" vai misturar ficção com documentário.
O diretor disse que o sucesso do "Auto" foi além das suas expectativas. Ele sabe que, agora, esperam que o novo trabalho repita o sucesso. Mas prefere não pensar sobre isso. Ele sabe, também, que seu nome, hoje, virou uma grife televisiva. "Não vou ter falsa modéstia, sei que tenho mérito nisso", afirma. "Mas meu grande mérito, mesmo, foi o de ter reunido um monte de gente boa para trabalhar junto", observa.
"Eu utilizei minhas possibilidades de produtor para levar profissionais de qualidade para a TV a fim de aprender com elas". Grife - Por conta dessa "grife", o diretor consegue mantar-se distante das novelas. Arraes conta que se seus projetos ficam bons é porque, "com certeza", ele consegue tempo para elaborá-lo. E tudo isso só ocorre porque a direção da emissora acredita que essa fórmula funciona. "Meus projetos podem não ser estouro de audiência, mas têm repercussão crítica", diz. "É bom que seja assim, porque a TV é impiedosa". Detalhista - Arraes continuará a fugir das novelas como Diogo álvares fugiu dos índios. A principal diferença é que o diretor não tem planos de se integrar à tribo para sobreviver. "Não sei fazer novela porque não sei improvisar", explica. "Se eu não combino tudo nos mínimo detalhes fico atarantado". Na sua opinião, quem dá "show" na direção de novelas é Jorge Fernando. "Eu me perco nos detalhes e nada anda".
Como diretor de núcleo, Arraes cuida do "Casseta & Planeta: Urgente!" e de "Muvuca". Sobre o primeiro, diz que o programa "já anda sozinho". Sobre o outro, só pretende pensar em algo quando terminar a microssérie. "O que me tira o medo de avançar pelo novo é me apaixonar por um projeto", disse ele, que continua a usar apenas sandálias e bolsas de couro, dessas compradas em feiras nordestinas. "É essa paixão que me move e não o sucesso".

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