Globo não sabe se fará outro festival de MPB
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segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Silvana Arantes Agência Folha 
Tudo Bem Meu Bem, de Ricardo Soares, vencedora do Festival da Música Brasileira, em final realizada no último sábado, obteve 49 pontos na soma de votos dos 11 jurados. A escala de avaliação ia de um a cinco pontos. O segundo lugar, Morte no Escadão, de José Carlos Guerreiro, teve 45 pontos e o terceiro, Tempo das Águas, de Bilora, totalizou 42 pontos. Para o público que acompanhou a disputa entre os 12 concorrentes, no Credicard Hall, o resultado fugiu do script. A desaprovação foi manifestada com vaias e gritos de é marmelada.
Se eu conseguir dar continuidade a esse trabalho, virei a fazer bons álbuns, boas canções e aí ter crédito de verdade, disse Ricardo Soares. O compositor, que trabalha como programador de computadores e recebeu prêmio de R$ 400 mil, contou que escreveu a letra há aproximadamente um ano, num pós-briga boba com a esposa, Maria Inês. O segundo prêmio foi de R$ 250 mil e o terceiro, de R$ 150 mil. A melhor intérprete, Ná Ozetti (Show, de Luiz Tatit) recebeu R$ 100 mil, assim como Lula Barbosa, compositor vitorioso na eleição do júri popular, com Brincos.
Solano Ribeiro, consultor do festival responsável pela seleção das músicas competidoras e pela organização do júri, diz que após a apuração dos votos os jurados se reuniram, tomaram conhecimento do resultado e concordaram com a escalação. Perguntado se manteria o mesmo júri para uma próxima edição, Solano respondeu: Não sei. É preciso saber primeiro se vai haver um próximo festival.
O consultor diz que comercialmente o evento teve êxito, com a venda de quatro cotas de patrocínio. Mas a expectativa de audiência da Rede Globo (25 pontos), promotora do evento, frustrou-se em todas as eliminatórias, não ultrapassando os 18 pontos. Na disputa final, no último sábado, o índice ficou em 16 pontos.
O candidato a melhor intérprete Carlinhos do Cavaco foi desclassificado na tarde de sábado, quando a organização do festival tomou conhecimento de que sua música, Pra se Juntar a Nós, fazia parte de CD lançado em 1997, contrariando o critério de ineditismo exigido para as inscrições. Pra mim, inédito é o que está engavetado. Eles não falaram nada, e eu fui indo. Não fiz por maldade, diz o músico.
Solano Ribeiro diz que o festival realizou pesquisa junto às sociedades arrecadadoras e tem termo de compromisso assinado por todos os compositores, assegurando o ineditismo de suas obras. A música de Carlinhos do Cavaco não está registrada. Ribeiro diz que seria absolutamente deselegante por parte da TV Globo pensar em qualquer tipo de punição.


