‘‘Tudo Bem Meu Bem’’, de Ricardo Soares, vencedora do Festival da Música Brasileira, em final realizada no último sábado, obteve 49 pontos na soma de votos dos 11 jurados. A escala de avaliação ia de um a cinco pontos. O segundo lugar, ‘‘Morte no Escadão’’, de José Carlos Guerreiro, teve 45 pontos e o terceiro, ‘‘Tempo das Águas’’, de Bilora, totalizou 42 pontos. Para o público que acompanhou a disputa entre os 12 concorrentes, no Credicard Hall, o resultado fugiu do script. A desaprovação foi manifestada com vaias e gritos de ‘‘é marmelada’’.
‘‘Se eu conseguir dar continuidade a esse trabalho, virei a fazer bons álbuns, boas canções e aí ter crédito de verdade’’, disse Ricardo Soares. O compositor, que trabalha como programador de computadores e recebeu prêmio de R$ 400 mil, contou que escreveu a letra há aproximadamente um ano, num ‘‘pós-briga boba’’ com a esposa, Maria Inês. O segundo prêmio foi de R$ 250 mil e o terceiro, de R$ 150 mil. A melhor intérprete, Ná Ozetti (‘‘Show’’, de Luiz Tatit’’) recebeu R$ 100 mil, assim como Lula Barbosa, compositor vitorioso na eleição do júri popular, com ‘‘Brincos’’.
Solano Ribeiro, consultor do festival responsável pela seleção das músicas competidoras e pela organização do júri, diz que após a apuração dos votos os jurados se reuniram, tomaram conhecimento do resultado e concordaram com a escalação. Perguntado se manteria o mesmo júri para uma próxima edição, Solano respondeu: ‘‘Não sei. É preciso saber primeiro se vai haver um próximo festival’’.
O consultor diz que comercialmente o evento teve êxito, com a venda de quatro cotas de patrocínio. Mas a expectativa de audiência da Rede Globo (25 pontos), promotora do evento, frustrou-se em todas as eliminatórias, não ultrapassando os 18 pontos. Na disputa final, no último sábado, o índice ficou em 16 pontos.
O candidato a melhor intérprete Carlinhos do Cavaco foi desclassificado na tarde de sábado, quando a organização do festival tomou conhecimento de que sua música, ‘‘Pra se Juntar a Nós’’, fazia parte de CD lançado em 1997, contrariando o critério de ineditismo exigido para as inscrições. ‘‘Pra mim, inédito é o que está engavetado. Eles não falaram nada, e eu fui indo. Não fiz por maldade’’, diz o músico.
Solano Ribeiro diz que o festival realizou pesquisa junto às sociedades arrecadadoras e tem termo de compromisso assinado por todos os compositores, assegurando o ineditismo de suas obras. A música de Carlinhos do Cavaco não está registrada. Ribeiro diz que ‘‘seria absolutamente deselegante por parte da TV Globo pensar em qualquer tipo de punição’’.

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