As ilhas de
Foley são
montadas para
produzir sonsHá uma equipe de profissionais da Globo especializada em prestar atenção nos ruídos. ‘‘Quanto mais se faz ruídos, mais atentos ficamos aos sons do dia-a-dia, prestando atenção em qualquer barulho, seja de porta batendo ou de cano de descarga’’, explica o sonoplasta Haroldo Sá. O ruído é a matéria-prima dessa equipe, integrada também por Isaías da Silva, Marco Caetano, Pedro Belo, Jorge Caetano, Rafael Salles, Francisco Salles, Jessé Braga, Gerson Braga e Jair Pereira. Eles prestam atenção em qualquer tipo de barulho para o caso de precisar recriá-lo com precisão, mas agora contam com um poderoso reforço: a primeira ilha de Foley da emissora.
Nenhum deles sabe dizer ao certo a origem do nome Foley. Alguns se arriscam a dizer que pode ser o nome de uma cidade americana, outros acham que é o nome de algum sonoplasta responsável pela sofisticada inovação. As ilhas de Foley são montadas com um único objetivo: produzir sons. O aperfeiçoamento fica por conta da tecnologia cada vez mais avançada, mas sem criatividade o equipamento não seria muito útil.
Como exemplo, Haroldo Sá lembra uma cena da série ‘‘A Justiceira’’, que pedia os sons dos passos da personagem Diana, interpretada por Malu Mader. Nessa época, a ilha de Foley ainda estava em fase de finalização, mas Haroldo conseguiu reproduzir com fidelidade o som dos charmosos sapatos ‘‘escarpins’’ de Diana e ‘‘caminhou’’, dentro do estúdio, sobre o mesmo piso que a atriz caminhou na cena.
Tacos e cascalhos‘‘Dentro do estúdio, o chão é dividido em vários compartimentos, um com tacos, outro com grades de ferro, e outros ainda de cascalhos e carpete’’, explica Haroldo. E as paredes são revestidas com proteção especial, para que nenhum ruído se perca. Um potente microfone capta tudo - até a respiração.
O sonoplasta explica que, em produções de cinema (com mais frequência) e televisão, a maioria dos sons inseridos nas cenas - carros explodindo, gelo tilintando no copo, chuva, pulseiras, ranger de portas - é produzida em ilhas de Foley. Os diálogos são gravados separadamente e, no final, junta-se tudo na mixagem. ‘‘É uma atividade difícil’’, observa Haroldo, lembrando, no entanto, que é reconhecida pela Academia de cinema de Hollywood, que todos os anos premia os melhores profissionais da área com o Oscar de Efeitos Sonoros.

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