Rio, 11 (AE) - No final do mês, quando assumir a Central Globo de Controle de Qualidade (CGQ), o diretor Mário Lúcio Vaz terá o direito de vetar a programação da Rede Globo. A longo prazo, será criado, na emissora, um código de ética de forma que organize critérios objetivos para nortear a realização de programas e facilitar sua fiscalização.
Vaz poderá vetar desde uma sinopse de novela até uma atração que esteja indo ao ar. A decisão pode ser tomada se o programa ferir a ética, desrespeitar algum acordo comercial da emissora ou um bom relacionamento com a concorrência. Além disso, ele poderá recomendar mudanças nos programas caso detecte problemas de ordem técnico-operacional. Nesse caso, suas orientações poderão ser ou não aceitas pelos diretores responsáveis pela atração.
Atualmente, Vaz ocupa a direção da Central Globo de Criação (CGC). Será substituído por Daniel Filho. O controle de qualidade da programação era feito como uma espécie de assessoria à CGC por Mauro Borja Lopes, o Borjalo, e Homero Sanches, que continuarão a prestar consultoria a Vaz.
Dar status de central ao departamento é um indicativo de que a emissora pretende se enquadrar nas novas exigências do governo para que as TVs tenham um código de ética formal para evitar baixo nível na programação. Até então, além do código da própria Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert), o que orientava a programação da Globo era um documento elaborado, há dez anos, pelo presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho.
Por ele, o bom-senso conteria os excessos. Agora, o bom- senso ditará regras objetivas, que serão revistas de tempos em tempos. Esse processo será coordenado pela superintendente-executiva Marluce Dias da Silva. Para entrar em vigor, o futuro código de ética da Globo terá de ser aprovado pelos acionistas da empresa.

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