Globo grava dois finais para "Pecado Capital"
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Sônia Apolinário 
Rio, 03 (AE) - Carlão morreu sobre sua mala de dinheiro, nos braços de Lucinha. Ou não. Ele abre os olhos e ela sorri - para a felicidade geral da nação. Esses foram os dois desfechos da novela das 18 horas da Globo, "Pecado Capital", gravados, ontem (02) por Eduardo Moscovis e Carolina Ferraz, em frente da estação do metrô de Copacabana, na zona sul do Rio. O último capítulo da refilmagem da história de Janete Clair será exibido na sexta-feira com reprise no sábado.
Considerada o fim de novela mais marcante da teledramaturgia brasileira, essa cena da morte de Carlão (interpretado por Francisco Cuoco, na versão original, de 1976) pode não ir para o ar outra vez. Segundo o diretor-geral, Maurício Farias, só na sexta-feira à tarde será decidido qual dos dois finais será exibido, após uma reunião entre o diretor da Central Globo de Criação, Daniel Filho, e a autora dessa nova versão, Glória Perez.
As pesquisas de opinião encomendadas pela Globo indicam que o público quer que Carlão viva. Os diretores da emissora, porém, estão divididos a esse respeito. Entre a equipe envolvida na gravação dos desfechos também não há consenso, bem como entre o público de quase 200 pessoas que acompanhou as gravações ao redor da Praça Arcoverde. "Queria que ele morresse porque é uma cena marcante da novela", afirmou a atriz Denise Milfont, que fez a Elisete, irmã de Carlão. Já o diretor tem outra opinião: "O Eduardo tem empatia e a gente acaba torcendo pelo Carlão, mesmo que o personagem seja quase um vilão". Gravação - Foram 12 horas de trabalho para realizar três sequências. Na plataforma de embarque, Carlão é visto e perseguido por Sandoval (Othon Bastos) e seus capangas, que querem sua mala de dinheiro. Ele foge para a entrada da estação, onde é abordado pelo chefe de Sandoval, Tonho (participação especial de Lima Duarte, que foi o Salviano da primeira versão), que ameaça Carlão com sua arma. Carlão tenta fugir e Tonho lhe dá dois tiros nas costas. Carlão cai ensanguentado no chão quando chegam Lucinha, sua irmã e seu pai (Roberto Bonfim).
Como o metrô do Rio não funciona aos domingos, a Estação Arcoverde foi aberta especialmente para a gravação com direito a trem funcionando. Trinta e seis agentes da empresa fizeram a segurança do local. Alguns deles participaram da cena da morte como figurantes. O hall de entrada foi transformado em restaurante onde cerca de 300 pessoas almoçaram. Entre elas estavam as 60 contratadas pela emissora como figurantes.
A gafe do dia foi protagonizada pelo diretor. No microfone, ele mandou que um carro da polícia saísse da rua por estar no campo de visão da câmera. Farias achava que se tratava do carro "maquiado" pela produção para a gravação. Mas era verdadeiro. "Se é de verdade, desculpem-me, mas peço que saiam", disse o diretor. Os policiais saíram.
Ao redor da praça e nas janelas dos apartamentos em frente da estação, a população acompanhou com entusiasmo as gravações. Os primeiros disparos de festim chegaram a assustar algumas pessoas, que gritaram. As fãs de Eduardo Moscovis eram as que mais sofriam, cada vez que viam o ator cair "morto" no chão. "Ele não pode morrer, não pode", gritava, histérica, a estudante Síntia Novaes, de 14 anos. "Ele é um monumento; não pode morrer".
A morte, propriamente, foi gravada com muita pressa. Por ter sido deixada para o fim, o diretor correu contra o relógio para terminar o trabalho antes que escurecesse. Na praça, a atração era a grua Akela, operada por controle remoto, com 20 metros de comprimento, que subia até 20 metros de altura e foi usada para registrar a morte (ou não) de Carlão.


