Isadora Andrade TV Press
Com vários projetos aprovados para as comemorações dos 500 anos do Brasil, a Globo decidiu fazer uma reformulação na programação. Como medida de contenção de gastos, a emissora adiou três das cinco minisséries previstas para serem exibidas no ano 2000. Agora, apenas ‘‘A Muralha’’, adaptada por Maria Adelaide Amaral, e ‘‘Vargas, Uma Tragédia Brasileira’’, escrita inicialmente por Dias Gomes - morto recentemente - em parceria com o poeta Ferreira Gullar, continuam nos planos da emissora. Para viabilizar a minissérie que aborda o segundo Governo Vargas, Ferreira se prepara para encarar a missão de reestruturar a minissérie, que passou de dez para oito capítulos. ‘‘Vou reescrever a história, mas a redução não vai afetar o conteúdo da obra’’, explica.
A história, inicialmente idealizada para o teatro, foi escrita pela dupla em 1968. Em 1982, foi adaptada para a tevê e teve o título mudado para ‘‘Um Tiro no Coração’’. Antes de começar a ser produzida, a minissérie foi censurada e acabou não indo ao ar. Ano passado, a pedido da Globo, Dias e Ferreira voltaram a trabalhar no projeto, que vai ser dirigido por Walter Avancini. Com a morte de Dias Gomes, Ferreira convidou o roteirista Marcílio de Moraes - um dos autores da novela ‘‘Força de Um Desejo’’ - para ser co-autor da minissérie.
Mas com a redução do número de capítulos, não vai se perder nada importante em ‘‘Vargas, uma Tragédia Brasileira?
Não acredito que a diminuição prejudique. Ao contrário. Acho até que, quanto menor for uma minissérie, melhor ela fica. Em geral, sou a favor de se contar uma história em poucos capítulos. Assim, a trama fica mais densa e os elementos ocasionais não se sobressaem. A história central continua sendo o ponto principal.
O que muda na história?
Não vamos mudar a história, mas a forma de contá-la. De qualquer maneira, já teríamos de refazer parte da minissérie. Afinal, ela foi escrita em 68 e adaptada para a tevê anos depois. Hoje, ninguém entenderia o que havíamos escrito anos atrás. A linguagem está defasada e alguns elementos já não funcionam mais. Vamos atualizar a história que apresentava, por exemplo, uma visão da alta sociedade que ficou ultrapassada. Praticamente vamos refazer a história. Afinal, não há como mexer em trechos da narrativa sem afetar os capítulos.
Algumas obras de Dias Gomes misturam realismo e ficção. ‘‘Vargas, uma Tragédia Brasileira’’ também vai ter essa característica?
O Vargas se matou e isso a gente não pode mudar, mas a idéia é ficcionar as duas histórias paralelas da minissérie. Na primeira versão, o Dias fez a estrutura e eu escrevi a maioria dos capítulos. Depois, ele os revisou. Nela, a gente já misturava realismo e ficção. A história é baseada na vida social e política do Vargas no final do segundo governo, mas haverá duas histórias paralelas inventadas que se entrelaçarão com a trama principal.
Você também está à frente de ‘‘A Invasão Holandesa’’, uma das minisséries adiadas. Em que fase está o projeto?
Já escrevi a sinopse juntamente com o Marcílio de Moraes e estamos esperando uma decisão do diretor Daniel Filho. A princípio, a minissérie só vai ser produzida no ano que vem. Lamentei bastante essa decisão, afinal, nós dois estávamos bastante empolgados com a minissérie. A direção da Globo nos explicou que não seria possível produzir tudo ao mesmo tempo. Não haveria estúdio, elenco e equipe técnica suficiente para viabilizar todos os projetos de uma vez só.

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