GLOBO DE OURO SINALIZA FAVORITOS AO OSCAR
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domingo, 21 de janeiro de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge De Londrina Especial para a Folha 2 
A cerimônia é mais íntima e descontraída que a do Oscar. E mais simpática, também. Os critérios da premiação costumam ser um pouco mais rigorosos, até porque quem escolhe os melhores não é a confraria de iguais, também conhecida por corporativismo. O Globo de Ouro, agora em sua 58ª edição, é atribuído pelos membros da Hollywood Foreign Press Association, ou seja, os jornalistas estrangeiros especializados e credenciados que cobrem o cotidiano da indústria cinematográfica e televisiva americana durante os 365 dias do ano. A festa, neste caso, não é um entra-e-sai discursivo de astros e estrelas, intercalados por alguns atores e atrizes. A entrega do Globo de Ouro, hoje às 23 horas com transmissão direta do canal por assinatura Telecine Premium (61, Net), com imagens geradas pela rede NBC, como sempre vai acontecer durante banquete no Hotel Beverly Hilton, em Hollywood. Por causa da maior descontração, com frequência coadjuvada por efervescências etílicas, muita gente sempre espera que uma língua mais ferina exponha inconfidências. E segundo registros da emissora, crescem a cada ano os índices de audiência interna e externa, reflexo do crescente prestígio conferido pelo prêmio aos eleitos.
O único reconhecimento previamente anunciado é o Trofeu Cecil B. De Mille, que será entregue a Al Pacino pela carreira. Ao todo são 24 categorias, 13 na área de cinema e 11 para a televisão. Este ano a disputa pelos principais prêmios na categoria drama está polarizada entre Gladiador, de Ridley Scott, lançado ainda no primeiro semestre do ano passado, e Traffic , de Steven Soderbergh, recém-lançado nos Estados Unidos. Aliás, analistas consideram que dificilmente o Globo de melhor direção deixará de contemplar Soderbergh, que concorre ainda por Erin Brockovich. Para melhor filme estrangeiro, subiu muito nos últimos dias a cotação do épico taiwanês O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, também na disputa na categoria de melhor direção. Considerável parcela dos títulos concorrentes está em exibição atualmente no Brasil (confira relação nesta página).
Uma outra vantagem sobre o Oscar é o lado enxuto do Globo de Ouro. Nada de melhor maquiagem ou efeitos sonoros. Em jogo apenas o essencial, como roteiro, ator e atriz, principal e coadjuvante, filme estrangeiro, trilha musical e canção original - a lamentar apenas o descarte de melhor fotografia. O efeito maçante corre por conta do oba-oba televisivo: pelas indicações deste ano, pouco ou nada mudou em relação ao desfile de sitcoms e policiais com seus respectivos ídolos, a esmagadora maioria somente liberada para o público brasileiro através da grade de programação dos canais por assinatura. No mais, persiste a tendência de que os globalizados de hoje serão os oscarizados de março: a proporção de prêmios que se repetem, na média, autoriza conferir ao Globo de Ouro o título de termômetro do Oscar.


