Se o 58º Globo de Ouro for mesmo uma prévia do Oscar 2001, espere confusão. A Associação dos Jornalistas Estrangeiros, responsável pela premiação que aconteceu anteontem em Los Angeles, não seguiu nenhuma tendência identificável. Melhor: a tendência foi não ter tendência.
Uma conclusão a ser tirada de uma noite estranha é que a cerimônia das estatuetas douradas em 25 de março não será aquele passeio no parque previsto para Steven Soderbergh. O diretor saiu machucado na noite de anteontem. Entre ‘‘Traffic’’ e ‘‘Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento’’, concorria a nove prêmios.
Levou três, o óbvio ator coadjuvante para Benicio Del Toro (‘‘Traffic’’), que foi chamado de ‘‘nome do momento’’ até pelo comedido ‘‘The New York Times’’, o de atriz dramática para Julia Roberts (por ‘‘Erin Brockovich’’) e o de roteiro (‘‘Traffic’’).
Mas perdeu duplamente em direção e filme dramático, mais atriz coadjuvante, que parecia sair da disputa entre Catherine Zetha-Jones (‘‘Traffic’’) e Frances McDormand (‘‘Quase Famosos’’) e deu a zebra Kate Hudson (‘‘Quase Famosos’’).
A estatueta para a fraca filha de Goldie Hawn não foi o único representante entre os equídeos africanos listrados da noite. Tom Hanks (melhor ator dramático por ‘‘Náufrago’’) e ‘‘Gladiador’’ como melhor filme dramático completaram o quadro quase errático da noite.
Que teve ainda um surpreso Ang Lee recebendo seu merecido reconhecimento como diretor, pelo belíssimo ‘‘O Tigre e o Dragão’’. O filme levaria ainda a barbada melhor filme estrangeiro. O Brasil, que foi indicado em 1999 (o vencedor ‘‘Central do Brasil’’ e melhor atriz para Fernanda Montenegro), não concorria a nada.
De resto, a cerimônia de três horas transmitida ao vivo para o mundo inteiro pela TV mostrou porque é tão mais agradável e descontraída que a do Oscar. Nada de piadinhas sem graça a cada dupla que sobe ao palco nem limites constrangedores para os agradecimentos. E o mais importante: não há números musicais.
Entre as observações cômicas dos premiados, citações à eleição presidencial norte-americana foram recorrentes. Assim, Benicio Del Toro e Martin Sheen brincaram com a recontagem de votos, e George Clooney falou que era filho ilegítimo de John Ashcroft, o polêmico candidato a secretário da Justiça de George W. Bush.
Robert Downey Jr., que apresentou o filme ‘‘Garotos Incríveis’’, do qual participa, e ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante de série de TV, brincou sobre sua recente prisão por porte de cocaína. ‘‘Clooney não me pediu conselho sobre como interpretar um prisioneiro’’, disse, referindo-se ao papel do ator em ‘‘E Aí, Meu Irmão...’’.
Os momentos mais emocionantes foram a premiação da música ‘‘Things Have Changed’’, de Bob Dylan, para o filme ‘‘Garotos Incríveis’’, que bateu os favoritos Sting e Bjork. O autor de ‘‘Blowin’ in the Wind’’, avesso a aparições, deu as caras e foi ovacionado.
O mesmo aconteceu com Al Pacino, que levou o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto da obra. Homenageado por Kevin Spacey, que faz um imitação perfeita do ator, Pacino entregou um comovente discurso, em que lembrava seus professores

mockup