O épico britânico ''Desejo e Reparação'', que estava indicado a sete Globos de Ouro, levou o prêmio de melhor filme de drama, em uma edição na qual os longas-metragens conquistaram no máximo duas estatuetas e que foi marcada pela greve dos roteiristas, que provocou o cancelamento da festa. Sem o habitual jantar de gala que reúne as estrelas, os vencedores foram anunciados em uma modesta entrevista coletiva, realizada no domingo.
O drama de guerra britânico ''Desejo e Reparação'', baseado no romance do escritor Ian McEwan (''Reparação''), estava indicado em sete categorias, incluindo melhor ator para James McAvoy e melhor atriz para Keira Knightley, mas só venceu em duas: a principal da noite e a de melhor trilha sonora para o italiano Dario Marianelli.
O aclamado ''Onde os Fracos Não Têm Vez'' teve um desempenho mais efetivo, já que conquistou dois Globos de Ouro dos quatro aos quais estava indicado. O espanhol Javier Bardem como melhor ator coadjuvante e o de roteiro para os diretores do filme, os irmãos Ethan e Joel Coen.
Na entrevista coletiva sem brilho no hotel Hilton de Beverly Hills, os filmes ''O Escafandro e a Borboleta'' e o musical ''Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet'' também saíram com um par de Globos de Ouro.
Uma das surpresas da noite foi o prêmio de melhor diretor para o americano Julian Schnabel, por sua adaptação de ''O Escafandro e a Borboleta'', em uma categoria na qual os favoritos eram os irmãos Coen e Paul Thomas Anderson por ''Sangue Negro''.
O filme de Schnabel, produzido com capital americano, mas falado em francês, também conquistou o Globo de Ouro de filme em língua estrangeira, superando pesos-pesados como o romeno ''4 meses, 3 semanas e dois dias'' (Palma de Ouro em Cannes); ''O Caçador de Pipas'', adaptação do livro best-seller de mesmo nome produzido por um estúdio americano, mas falado em duas línguas afegãs; ''Lust Caution'', do taiwanês Ang Lee, e o francês ''Persepolis''.
Nas categorias de interpretação em filmes de drama, os prêmios ficaram com os britânicos Daniel Day-Lewis (''Sangue Negro'') e Julie Christie (''Longe Dela''). O musical sangrento de Tim Burton, ''Sweeney Todd'', levou o prêmio de melhor filme musical ou comédia e valeu o primeiro Globo de Ouro a Johnny Depp, que, em sua oitava indicação, conquistou a estatueta de melhor ator de musical ou comédia.
A versão feminina do prêmio de Depp foi atribuída à francesa Marion Cotillard, por sua interpretação da cantora Edith Piaf em ''Piaf - Um Hino ao Amor''. Na categoria de atriz coadjuvante, a australiana Cate Blanchett foi a vencedora pela interpretação de Bob Dylan em ''I'm not There''.
O melhor filme de animação foi ''Ratatouille'', da Disney-Pixar, que superou ''Bee Movie'' e ''Os Simpsons - O Filme''. O cantor Eddie Vedder, do grupo Pearl Jam, levou o prêmio de melhor canção por ''Guaranteed'', do filme ''Into the Wild'', dirigido por Sean Penn.
A greve dos roteiristas nos Estados Unidos obrigou a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA) a transformar o tradicional jantar de gala em uma entrevista coletiva no hotel Hilton de Beverly Hills, onde os jornalistas foram os únicos presentes à premiação, que é celebrada desde 1943.
Sem limusines, tapete vermelho e com apenas alguns rostos conhecidos de programas de entretenimento nos Estados Unidos, a HFPA anunciou os vencedores nas 25 categorias da 65 edição do Globo de Ouro.
Agora a dúvida é saber se a greve prosseguirá no próximo mês e afetará o Oscar, programado para 24 de fevereiro. O adiamento do Globo de Ouro provocou prejuízos de 80 milhões de dólares à cidade de Los Angeles, segundo os economistas.
Nos prêmios de televisão, a série ''Mad Men'' foi a vencedora na categoria drama e ''Extras'' levou a estatueta de melhor série de comédia. Nas categorias de interpretação os vencedores foram: Jon Hamm (''Mad Men'', drama), David Duchovny (''Californication'', comédia), Glenn Close (''Damages'', drama) e Tina Fey (''30 Rock'', comédia).

mockup