Glasgow é, decididamente, uma cidade de estilo. Não foi por acaso que um de seus filhos, Charles Rennie Mackintosh, revolucionou a história do design e muito menos será pelos belos olhos claros de suas meninas que a cidade foi eleita para ostentar, em 1999, o título de Capital dos Arquitetos e Designers. Passeie seu olhar por ruas e avenidas e constate o motivo da escolha por si só.
No cenário urbano dessa cidade pontuada por inúmeras áreas verdes, alguns edifícios chamam a atenção, como o da universidade (a terceira do Reino Unido, foi construída em 1887 pelo mesmo arquiteto que projetou o Parlamento de Londres e o Hunterium Museum). Outro destaque arquitetônico é o Kelvin Art Gallery and Museum, de fachada imponente e acervo precioso. Nesse aspecto, um detalhe para lá de interessante aos visitantes: na Escócia, museus e galerias são grátis.
De volta às ruas da cidade, não há como não reparar que o centro é uníssono em seu estilo vitoriano, com prédios onde predominam várias tonalidades de marrom e bege. Até duas décadas atrás, porém, o cenário era outro. Os edifícios estavam quase todos negros por conta da fuligem industrial e do carvão. Mal dava para ver o pátima que cobre as esculturas das praças. Um intenso trabalho de limpeza e restauração iniciado em meados dos anos 70 devolveu a cor original ao casario. No Rio Clyde, que corta a cidade, também outrora poluído, hoje é possível pescar salmão. Como fazia o padroeiro de Glasgow, São Mungo, popular desde o século 60.
Esse santo, por si só, rende muita história e muita reza. Para os súditos de Sua Majestade ele é ‘‘o protetor dos adúlteros’’. Teria evitado que uma rainha caisse em perdição junto ao marido, impedindo que o soberano descobrisse a traição da mulher. A aliança real, dada pela rainha como prova de seu amor extraconjugal a um plebeu, teria sido recuperada pelo santo na boca de um salmão. A par da veracidade de São Mungo ter salvado o casamento e a vida dos envolvidos, a fé no santo é inquestionável. Bem em frente da Catedral de Glasgow, que é do século 13, os símbolos da cidade sintetizam a história da vida-lenda desse santo. Um ramo de folhas, um anel, um peixe e um sino. São essas as armas do brazão de Glasgow.

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