GLAMOUR SOBRE QUATRO RODAS
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de fevereiro de 2001
Nelson Sato De Londrina 
Automóveis têm atitude? Tem, mas só os antigos. Quem diz é o jornalista inglês Quentin Willson, autor de O Livro dos Carros Clássicos, um luxuoso volume que acaba de sair no Brasil pela editora Ediouro reunindo 90 das mais fascinantes criações automobilísticas do século XX.
A galeria é capaz de impressionar até quem não dá a mínima para o mundo das quatro rodas. A disposição segue ordem alfabética. Começa com o AC Ace-Bristol e termina com o Volvo P1800. Mas estão ali o Aston Martin, a Ferrari Lusso, o Dino 246, o Cadillac Conversível, o Bentley R-Type Continental, o Ford Mustang, o Peugeot 203, o Rolls-Royce, o Simca Aronde e todos os demais que ganharam status de obras de arte com a passagem dos anos.
O livro foi publicado há cinco anos na Inglaterra. Cada automóvel ganhou duas páginas com fotos internas e externas acompanhadas de informações curiosas e ficha técnica. Só um tolo afirmaria que um Facel Vega HK 500 é um carro superior ao Jaguar MK II. Não é. Mas o Facel, com seu estilo gaulês gloriosamente excêntrico, é o mais interessante dos dois. E é por isso que está no livro e o Jaguar não está explica Willson tentando justificar suas escolhas.
Para ele, o charme nostálgico dos automóveis antigos não tem equivalente na produção contemporânea. Saudosista, escreve que só mesmo um insensível poderia deixar de se comover com a inocência saudável de um Miga ou de Frogeye e Sprite com seus botões e interruptores antiquados, rodas raiadas, medidores elegantes e seu estilo desordenado. Tais atributos, segundo ele, foram banidos pela tecnologia.
Willson queixa-se da eficiência asséptica, que estaria dotando os novos carros da mesma funcionalidade dos fornos microondas. Produzidos em massa e com apelo para a massa, eles carecem de sexualidade, de emoção e de arrebatamento escreve. Entre seus modelos eleitos, contudo, já figuram modelos da não tão longínqua década de 80. Nesta escalação entraram carros como o Saab Turbo e Audi Quattro, que fariam parte da categoria clássicos emergentes.
Ele detecta, todavia, o surgimento de uma tendência retrô a partir das pranchetas dos designers de carros. Quando a Mazda projetou o seu carro esporte MX-5, levaram meses tentanto reproduzir o autêntico timbre rascante do cano de descarga de um carro esporte dos anos 60. Queriam recriar o passado com a tecnologia moderna acredita.
Para reforçar seu argumento, acrescenta as últimas safras de carros esporte com faróis dianteiros arrendondados, linhas arrojadas, mostradores brancos, emblemas com desenhos e letras em cromo. Todos esses detalhes insinuariam uma nova série de carros modelados com o objetivo de suprir esta moda nostálgica, da qual a publicação deste livro é já um exemplo notável.
O Livro dos Carros Clássicos. Autor: Quentin Willson. Editora Ediouro. Rua Nova Jerusalém, 345. Bonsucesso. RJ. CEP 21042-230. Tel. (21) 560.6122.
Trechos do livro


