Automóveis têm atitude? Tem, mas só os antigos. Quem diz é o jornalista inglês Quentin Willson, autor de ‘‘O Livro dos Carros Clássicos’’, um luxuoso volume que acaba de sair no Brasil pela editora Ediouro reunindo 90 das mais fascinantes criações automobilísticas do século XX.
A galeria é capaz de impressionar até quem não dá a mínima para o mundo das quatro rodas. A disposição segue ordem alfabética. Começa com o AC Ace-Bristol e termina com o Volvo P1800. Mas estão ali o Aston Martin, a Ferrari Lusso, o Dino 246, o Cadillac Conversível, o Bentley R-Type Continental, o Ford Mustang, o Peugeot 203, o Rolls-Royce, o Simca Aronde e todos os demais que ganharam status de obras de arte com a passagem dos anos.
O livro foi publicado há cinco anos na Inglaterra. Cada automóvel ganhou duas páginas com fotos internas e externas acompanhadas de informações curiosas e ficha técnica. ‘‘Só um tolo afirmaria que um Facel Vega HK 500 é um carro superior ao Jaguar MK II. Não é. Mas o Facel, com seu estilo gaulês gloriosamente excêntrico, é o mais interessante dos dois. E é por isso que está no livro e o Jaguar não estᒒ – explica Willson tentando justificar suas escolhas.
Para ele, o charme nostálgico dos automóveis antigos não tem equivalente na produção contemporânea. Saudosista, escreve que só mesmo um insensível poderia deixar de se comover com a inocência saudável de um Miga ou de Frogeye e Sprite com seus botões e interruptores antiquados, rodas raiadas, medidores elegantes e seu estilo desordenado. Tais atributos, segundo ele, foram banidos pela tecnologia.
Willson queixa-se da ‘‘eficiência asséptica’’, que estaria dotando os novos carros da mesma funcionalidade dos fornos microondas. ‘‘Produzidos em massa e com apelo para a massa, eles carecem de sexualidade, de emoção e de arrebatamento’’ – escreve. Entre seus modelos eleitos, contudo, já figuram modelos da não tão longínqua década de 80. Nesta escalação entraram carros como o Saab Turbo e Audi Quattro, que fariam parte da categoria ‘‘clássicos emergentes’’.
Ele detecta, todavia, o surgimento de uma tendência retrô a partir das pranchetas dos designers de carros. ‘‘Quando a Mazda projetou o seu carro esporte MX-5, levaram meses tentanto reproduzir o autêntico timbre rascante do cano de descarga de um carro esporte dos anos 60. Queriam recriar o passado com a tecnologia moderna’’ – acredita.
Para reforçar seu argumento, acrescenta as últimas safras de carros esporte com faróis dianteiros arrendondados, linhas arrojadas, mostradores brancos, emblemas com desenhos e letras em cromo. Todos esses detalhes insinuariam uma nova série de carros modelados com o objetivo de suprir esta moda nostálgica, da qual a publicação deste livro é já um exemplo notável.
‘‘O Livro dos Carros Clássicos’’. Autor: Quentin Willson. Editora Ediouro. Rua Nova Jerusalém, 345. Bonsucesso. RJ. CEP 21042-230. Tel. (21) 560.6122.

Trechos do livro

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