Giulia Gam será Dona Flor na TV
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Agência Estado 
Afastada das novelas desde 1993, quando interpretou a apaixonada Linda Inês de Fera Ferida, Giulia Gam volta a contracenar com Edson Celulari (o Flamel daquela mesma novela) na minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado, adaptada para a tevê por Dias Gomes. Na história que vai ao ar entre novembro e dezembro deste ano, na Globo, Giulia terá Marco Nanini no papel do outro marido. E diz que está muito feliz com isso:
O primeiro autógrafo que pedi na vida foi ao Nanini. E o Celulari foi o meu grande par romântico nas novelas Que Rei Sou Eu? e Fera Ferida. Eu não poderia ter dois maridos mais perfeitos - brinca a atriz, que precisou escurecer e cachear os cabelos e tomar sol para ficar morena a fim de encarar o desafio de se sair tão bem no papel de Dona Flor na tevê como Sônia Braga no cinema.
O diretor Mauro Mendonça Filho diz que a idéia é atualizar ao máximo a obra de Jorge Amado (cuja adaptação para o cinema teve a participação de seu pai, o ator Mauro Mendonça). Giulia Gam disse que, quando recebeu o convite para ser a protagonista da minissérie, ficou surpresa e orgulhosa, mas pediu um tempo para decidir. Tenho um certo medo da projeção que a tevê lhe dá, explicou. Quando se vira protagonista de um programa da Globo, parece que todos os olhos do Brasil se voltam para você.
Você teve medo de uma comparação com a Dona Flor de Sônia Braga?
Giulia Gam - Muita gente ainda confunde Dona Flor com Sônia Braga. Ela marcou e foi muito marcada pela obra de Jorge Amado. Só depois do início das filmagens consegui me libertar da lembrança da Sônia e construir a minha imagem sobre Dona Flor. Tentei apagar da memória cenas que me marcaram no filme.
Como tem sido a reação dos baianos à sua escolha?
Giulia Gam - Eles estão achando ótimo, não têm nenhum preconceito. A Bahia é mestiça, e a obra de Jorge Amado ressalta exatamente isso. Conheci Jorge Amado e ele me disse para não me preocupar, que eu tinha a doçura da Dona Flor.
O que mais te atrai na história do livro?
Giulia Gam - Foi uma coisa engraçada que a Zélia Gattai, mulher do Jorge Amado, me contou. Ela disse que os personagens dos livros de Amado ganham vida e passam a habitar a casa deles em Salvador. Quando estava escrevendo Dona Flor, Amado queria que a personagem principal morressse, o que seria o fim clássico de um menage à trois . Mas a personagem resistia, não queria morrer. Um dia, Amado acordou no meio da madrugada e gritou para Zélia: Aquela sua amiga! Aquela sua amiga! E Zélia, sonolenta: Que amiga? Daí Amado explicou: Aquela descarada da Dona Flor! Transou com o Vadinho e decidiu ficar com os dois! Eu gosto dessa coisa lúdica e feliz que o livro e a Bahia têm.
Você teve de reestruturar seu corpo para compor a personagem fisicamente?
Giulia Gam - Escureci o cabelo, cortei cacheado, já que meu cabelo é muito liso. tomei sol para ficar mais morena...quando cheguei aqui, parecia uma extraterrestre, de tão branca (risos) . Também fiz um curso para reestruturar minha postura. Estava acostumada a interpretar mocinhas, que são mais simétricas. A Dona Flor é toda sinuosa.
Você tem receio da comparação entre o filme e a minissérie?
Giulia Gam - Nós temos consciência de que precisaremos conquistar um público que já tem uma referência muito forte. Foi difícil nos libertarmos da imagem do filme, mas conseguimos criar nosso universo. A equipe da minissérie tomou todo o cuidado para não reproduzir e sim tentar renovar o carisma do livro, mesmo porque se trata de outra mídia, com outro tamanho, para outra geração. Já estamos preparados para a comparação.


