Quatorze anos depois da primeira apresentação de ‘‘Giselle’’ em Curitiba, o clássico do balé romântico foi mostrado outra vez no palco do Teatro Guaíra. Desta vez, a obra foi interpretada por 51 bailarinos do Teatro Colon de Buenos Aires, que pela primeira vez vieram à cidade. A última apresentação acontece hoje à noite.
Antes do ensaio geral, o diretor artístico do Ballet do Teatro Colon, Ricardo Bustamante, falou sobre a importância de apresentar ‘‘Giselle’’ numa cidade que já conhece a obra. Em 1984, o espetáculo foi montado pelo próprio Ballet do Teatro Guaíra. Na época, a personagem Giselle foi interpretada por uma bailarina argentina e por Ana Botafogo.
Apesar disto, Bustamante confessou que havia muita expectativa na estréia. ‘‘É um espetáculo de muito valor’’, disse. Os bailarinos têm grande responsabilidade não só sobre a dança, mas principalmente na interpretação dos personagens. ‘‘É um drama, uma tragédia, que exige muito deles’’, explica.
A bailarina Silvina Vaccarelli, que dança desde os três anos de idade e está pela primeira vez no Brasil, confirmou que num espetáculo como ‘‘Giselle’’ a interpretação pode ser até mais importante do que o próprio balé. ‘‘Precisamos trabalhar muito nossas emoções’’, disse.
O diretor Bustamante, nascido na Colômbia há 35 anos, já dedicou 26 deles à dança. Ele foi o primeiro bailarino da companhia de Mikhail Baryshnikov durante sete anos, atuou no Ballet do Teatro San Francisco, nos Estados Unidos, também como primeiro bailarino.
O atual diretor do Ballet do Teatro Colon participou também, como convidado, na Ópera de Berlim, no Teatro La Scala de Milão e no Ballet Scoses, da Escócia, além de ter acompanhado Rodolf Nurejev numa turnê mundial.
A apresentação do balé argentino no Teatro Guaíra, na opinião de Bustamante, contribuirá para que a integração entre os países do Mercosul seja forte também nas artes.
O cônsul argentino em Curitiba, Jaime Hernando Beserman, concorda. Ele defende a idéia de que a cultura é um ótimo negócio quando o objetivo é integrar os povos. ‘‘Antes Buenos Aires parecia estar tão longe e agora conseguimos aproximar as duas cidades.’’
O caminho inverso também deverá ser trilhado, com a possível ida do Ballet do Teatro Guaíra à Argentina. A secretária estadual de Cultura, Lúcia Camargo, confirmou o interesse em levar vários espetáculos paranaenses para países do Mercosul.
‘‘O nosso espetáculo do Grande Circo Místico, por exemplo, fala de coisas bem brasileiras e mostra a boa MPB’’, disse ela. Ele poderá ser apresentado em breve em Buenos Aires.
Outro sintoma da integração das culturas brasileira e argentina foi a parceira da Orquestra Sinfônica do Paraná com o Ballet do Teatro Colon, na apresentação de ‘‘Giselle’’.
Durante o espetáculo, a orquestra interpretou a música de Adolph Adam, sob regência do maestro argentino Carlos Calleja. Ele não conhecia a orquestra paranaense e disse que seria um experiência importante para a sua carreira participar deste espetáculo.
Ele já atuou como regente nas orquestras Sinfônica de Buenos Aires, Sinfônica Nacional, Estável do Teatro Colon, do Teatro Argentino de La Plata, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e várias outras. Calleja já regeu a ópera ‘‘Barbeiro de Sevilha’’ e os balés ‘‘La Sylphide’’ e ‘‘Dom Quixote’’.
Acostumado com um público que considera ‘‘calido’’ e muito participativo, em Buenos Aires, Calleja comentou que sua expectativa com os curitibanos era muito grande. ‘‘Quando toquei no Municipal do Rio de Janeiro, há três anos, percebi que o público brasileiro é muito parecido com o argentino, mas ainda mais participativo.’’
‘‘Giselle’’ com o Ballet do Teatro Colon. Última apresentação hoje às 20h30, no grande auditório de Teatro Guaíra. Ingressos a R$ 60,00 (platéia), R$ 40,00 (primeiro balcão) e R$ 25,00 (segundo balcão).

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