São Paulo, 01 (AE) - Nunca houve uma mulher como Gilda. A frase, repetida obsessivamente pelos cinéfilos, retrata bem o que se passa nesse clássico noir de Charles Vidor, centrado sobre a figura da atriz Rita Hayworth. Bela a ponto de incomodar
com seu permanente ar fatal, é o vértice de um triângulo amoroso - ela, entre o marido, um dono de cassino vivido por George Mcready, e o jogador interpretado por Glenn Ford.
Ford torna-se crupiê do cassino e, em seguida, é designado guarda-costas de Gilda. A trama é complicada, envolvendo interesses escusos do mundo do jogo, ação de agentes nazistas (a história se passa em 1943) e intriga internacional. Mas o mais interessante fica por conta da tensão sensual existente entre Rita e os dois homens.
"Gilda" nem sempre pode ser classificado como um noir típico. Não há nele, por exemplo, a figura clássica do detetive, como nas histórias de Philip Marlowe ou Sam Spade. Mas a verdade é que outros ingredientes do gênero estão presentes, a começar pela femme fatale, que Rita Hayworth encarnou à perfeição.
Há também a trama enrolada, nem sempre fácil de seguir, ainda que a história fique longe da complexidade de, por exemplo
"À Beira do Abismo", baseado em Raymond Chandler. Como outros diretores de noirs, Vidor coloca ênfase no clima das cenas, no desenho fotográfico especial que visa a criar determinada impressão no espectador. No caso, uma sensação de opacidade dos personagens e ambiguidade de situações.
O filme é de 1946, época de censura moral muito rígida. "Gilda" é exemplo de como se pode driblar esse tipo de impedimento trabalhando-se apenas com sugestões. É um dos dramas mais sensuais jamais feitos e nenhum momento bate de frente com o código dos estúdios.

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