Paris - ''O corpo e a alma me pedem para fazer uma música mais íntima'', declarou à AFP o cantor e compositor Gilberto Gil, que fez ontem um show acústico, ''pessoal e introspectivo'', em um grande teatro de Paris.
Gil, ex-ministro da Cultura e que completará 69 anos em junho, se apresentou ao lado do violoncelista Jacques Morelenbaum e do filho Bem Gil no Teatro Chatelet, um dos templos da música parisiense.
O artista baiano, que tem mais de 40 anos de carreira, confessou em entrevista à AFP que a nova orientação em sua música tem relação com a ''passagem do tempo, que deixa marcas''.
''A apresentação foi uma viagem em uma música mais íntima, mais terna e introspectiva. E isso tem a ver com a passagem do tempo'', reconheceu Gil. ''O tempo deixa marcas, e estas se refletem em minha música'', completou o cantor.
O artista, um dos idealizadores da tropicália nos anos 60, quando também combatia a ditadura militar, afirma que agora deseja fazer uma música mais afastada de conceitos, de ideologias, ''uma música mais pessoal, que deixe mais espaço para a ternura''.
''Eu já fiz tudo isso de estimular a música brasileira. Antes havia uma ideologia, que era ajudar a divulgar a nossa música no mundo. A tropicália foi isso. Agora quero voltar a coisas mais puras, livres, sem compromissos'', explicou.

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