DivulgaçãoGilberto Gil: mestre na arte de utilizar a variedade de ritmos brasileirosGilberto Gil deu aquele abraço na ciência e, depois de ter gasto a régua e o compasso do início de carreira, agora utiliza a matemática quântica em seu novo trabalho. Há cinco anos sem um disco com músicas novas - o ‘‘Unplugged’’ saiu em 94, mas era uma revisão da carreira -, ele lançou o CD duplo ‘‘Quanta’’ e faz show em Curitiba apenas hoje, no Guairão, mostrando um pouco do novo repertório.
Curitiba tem algo mais a ver com o disco do que pode sonhar a vã filosofia. Logo na segunda página do encarte, além da dedicatória a Cassia Eller, Zeca Pagodinho e Chico Science, está uma carta do físico curitibano Cesar Lattes. Nela, o especialista explica algumas expressões relativas à física e que são utilizadas nas músicas de Gil, além de dar aulas de erudição sobre ciência e arte.
A Lattes também foi dedicado o samba ‘‘Ciência e Arte’’, que Cartola e Carlos Cachaça fizeram em parceria nos anos 50 e que o baiano recupera neste belo CD. O cientista foi o descobridor da partícula ‘‘píon’’, em 1947, e é um dos mais importantes cientistas brasileiros.
Temas e ritmos Ontem à noite, Gil esteve na Universidade Federal do Paraná justamente para participar de um debate sobre ciência e arte. A proposta dos debates com a comunidade acadêmica é do próprio compositor. ‘‘O debate me dá uma avaliação melhor de como o meu sonho se realiza na mente das pessoas’’, afirma.
O novo disco - e consequentemente o novo show - une ciência e esoterismo, como admite o próprio músico: ‘‘O disco fala de informática, esoterismo, medicina, física, filosofia chinesa etc.’.
Não é de hoje que Gilberto Gil faz produções temáticas. Desde a criação do Tropicalismo, passando pela trilogia dos ‘‘Re’’ - Refavela, Refazenda e Realce - e chegando no ‘‘Parabolicamarᒒ, que já era um prenúncio dessa aproximação com o tema da ciência, utilizando-se de ritmos tipicamente brasileiros.
Ritmo é o que nunca faltou nos discos de Gil, e é isso que o diferencia de outros deuses da MPB atual, como o seu colega baiano Caetano Veloso, o carioca Chico Buarque e o maranhense Djavan, para citar só três. Sem dúvida, Gil é o que mais domina e utiliza-se da variedade de ritmos brasileiros.
No novo disco, por exemplo, existe o forró, o samba, a bossa nova, o afoxé e uma infinidade de variantes comandadas pelos percussionistas Marcos Suzano e Gustavo de Dalva. Nesta época de música pop brasileira, ele chega à mistura de ritmos brasileiros com o rock, como na brilhante ‘‘Pela Internet’’, que é uma homenagem ao samba ‘‘Pelo Telefone’’, de Donga, tida como o primeiro samba gravado no Brasil. Tem também a versão ‘‘mangue beat’’ da música ‘‘Vendedor de Caranguejo’’, de Gordurinha.
No espetáculo, Gilberto Gil deverá apresentar ao todo 24 músicas, sendo apenas nove ou dez - dependendo do clima - totalmente novas. As outras são gravações antigas ou que tiveram uma releitura no CD ‘‘Quanta’’. Ele estará acompanhado de uma banda com sete músicos: Celso Fonseca (guitarras), Arthur Maia (baixo), Jorginho Gomes (bateria), Gustavo de Dalva e Leonardo Reis (percussão), Paulo Calazans (teclado) e Raul Mascarenhas (sax).
q Quanta - show de lançamento do novo CD de Gilberto Gil. Hoje, às 21 horas. Ingressos a R$ 35,00 na platéia e primeiro balcão e R$ 25,00 no segundo balcão.

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