Um disco de Gil é sempre um exercício de diversidade. Em ''Bandadois'', novo trabalho do artista, o violão suplanta a guitarra tropicalista.
Gil toca com o filho, Bem Gil, que já integra sua banda. ''Tudo simples, tudo pessoal, tudo em casa, pai e filho'', afirma Gil. Outro filho, José Gil, o caçula da família, toca baixo no bis. A cantora Maria Rita os acompanha cantando ''Amor Até o Fim'', uma das primeiras composições de Gil (gravada por Elis Regina, mãe de Maria Rita, nos anos 60). Gil faz corinho e a segunda voz.
O disco tem 16 canções, o DVD tem 23. O DVD traz ainda umas aulas de violão do mestre, para quem dedilha. E trazem duas músicas inéditas. A primeira é ''Das Duas, Uma'', que Gil fez para o casamento de sua filha e assistente de todas as horas, Maria. É o discurso do pai na hora da festa. ''Façam das pazes noturnos bombons.'' O DVD traz ainda outra inédita, ''Pronto pra Preto'', feita para o Festival Back2Black.
E bossa, é claro, quando Gil está frente a standards como ''Saudade da Bahia'', de Dorival Caymmi. Quando revê suas próprias canções, brinca totalmente à vontade. ''A Linha e o Linho ''parece ganhar ares de moda de viola. ''O Lamento Sertanejo'', dele e de Dominguinhos, vai fundo em sua porção de apoio nordestino. De suas muitas parcerias com o bardo Mautner, Gil escolheu a lúdica O rouxinol. Não inventou demais. Suas canções fundadoras, que originaram e motivaram movimentos, como ''Chiclete com Banana'' (de Almira Castilho e Gordurinha), ressurgem como se tivessem apenas sido envernizadas. É um disco cool, meio lounge, meio chill out. Mas com rara inspiração.

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