GIL & PUPILOS EM
MARÉ BOA
Cantor vai se apresentar no Olympia de
Paris. ‘‘Afilhados’’ vão bem, obrigado
Sílvia Herrera
Agência Estado
ReproduçãoGilberto Gil: quatro apresentações na mais famosa casa de shows de Paris
Durante a Copa da França, Gilberto Gil será uma das estrelas da MPB que vão se apresentar no famoso Olympia de Paris. Ele fará quatro apresentações entre os dias 9 e 13 de junho. Enquanto isso, dois de seus novos pupilos, Adriana Maciel e Véio Mangaba, vão despertando o interesse do público. Ambos gravaram seus primeiros CDs pela Geléia Real, selo de Gilberto Gil distribuído pela WEA.
Como todos os brasileiros, Gil anda meio apreensivo com o desempenho da seleção brasileira. ‘‘Ela é muito boa sob o ponto de vista dos jogadores, mas ainda não tem padrão’’, argumenta. Já suas revelações estão caminhando sozinhas e marcando vários gols. A música ‘‘Grama Verde’’ de Adriana Maciel virou tema da personagem Lígia (Fernanda Rodrigues), em ‘‘Corpo Dourado’’; e Véio Mangaba foi indicado para o prêmio Sharp.
‘‘Estudei flauta transversal na UNB, em Brasília, e estava tentando a carreira como atriz, quando me descobriram’’, conta Adriana de 30 anos. Ela estava trabalhando na peça ‘‘Abelardo e Heloísa’’, na qual cantava em cena. Celso Fonseca, amigo e parceiro de Gil, viu a moça e fez o convite para gravar o CD. ‘‘Foi tudo muito rápido’’, lembra ela. Aliás, Adriana é casada com o cantor Milton Guedes, aquele de ‘‘Sonho de Uma Noite de Verão’’. O som de Adriana segue uma linha bem MPB, meio Marisa Monte com toques de Zé Ramalho. Aliás, em seu CD de estréia, que leva o seu nome, há a ‘‘Vila do Sossego’’, um dos grandes sucessos de Zé Ramalho na década passada. ‘‘Não gosto de rótulo, mas é um som que pode ser classificado como world music’’, avalia Adriana.
Já Véio Mangaba é outro departamento. Ele é um artista de rua pernambucano e chama-se Walmir Chagas, que há cinco anos faz teatro nas ruas de Recife. Fã de Jararaca & Ratinho, uma dupla muito animada da época dos cassinos brasileiros, tem o bom humor como temática de vida e das suas canções. ‘‘O nome Veio Mangaba nasceu do contato com o maracatu, ele é um personagem, um fanfarrão libidinoso do pastoril. Mais que isso, uma figura do povo, que você pode encontrar em qualquer lugar do mundo’’, diz ele.
‘‘Veio Mangaba e suas Pastoras Endiabradas’’ é o sugestivo nome do CD, que traz de tudo - maracatu, rock, forró, samba, pagode, tudo misturado com letras bem sacanas. ‘‘O clipe da ‘Devagar Conceição’ tá passando na MTV. Foi o próprio Gil quem escolheu esta música para trabalharmos primeiro’’, avisa. E os shows já estão rolando em São Paulo, Recife e Belo Horizonte. ‘‘Ser do selo do Gil é uma coisa dada do céu. Ele é maravilhoso como gente, e como músico então nem se fala’’, elogia Veio Mangaba, que ainda não é tão velho assim, ainda tem 38 anos.

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